sábado, maio 13, 2017

13 dias de 05 meses


(...)

"Mas não existe fronteira para a minha poesia."

CÁLICE
Criolo Doido

sexta-feira, maio 12, 2017

ABRACE BENJAMIN

(Quando nós dois teremos coragem?)



O coração dela já soubera que era ele quando escutou o barulho da porta. “Não era para ser assim”, pensou e com o canto dos olhos pôde enxergar os passos calmos de Benjamin. Mais uma vez o rapaz deprimido deixava o prédio de Anastácia para encontrar conforto nas ruas da grande cidade. E mais uma vez a menina Anastácia prendera a respiração enquanto fitava Benjamin atravessar a recepção. Separações. Elas são assustadoras.

Anastácia aguardara sua mãe na recepção do Edifício Mariana, porque esquecera sua chave no trabalho. Para não pensar no bem amado, abriu o livro de anotações e tentou recordar-se das entrevistas que fez durante o dia. A menina recebeu a árdua tarefa de escrever sobre separações para o jornal onde trabalhava. Justo ela que não havia superado o divórcio dos pais... Justo ela que sentia-se exausta por ainda carregar aquele sentimento por Benjamin.

Nos escritos, recordou-se de um senhor que parecia ter enterrado seu passado junto aos sonhos perdidos. Não se tratava de uma separação romântica, o senhor que a intrigava separou-se de si mesmo. Ingressou na faculdade de administração ainda jovem, mas não pôde terminá-la e, ao suspender o andamento do curso, suspendeu também o sonho de ter o seu próprio negócio.

Durante a entrevista, o senhor revelou que era um jovem aventureiro, honesto e que preservara o bom-humor. Acontece que as caraterísticas atuais do jovem senhor parecem muito distantes de como ele se descreveu no tempo de juventude. Anastácia se questionou se esse era um castigo do tempo ou se era consequência das atitudes daquele senhor.

“Será que todos nós iremos perder nossas características marcantes com o tempo?”, protestou. Tentou recordar-se de sua avó descrevendo os seus pais e lembrou-se de algumas histórias. “Esses não são os meus pais divorciados”, sentenciou. Parece que os pais de Anastácia também deixaram um pouquinho do que eles eram no caminho. Parece que todos nós deixamos...

Os pais de Anastácia e aquele senhor tinham algo em comum: o tempo não foi o responsável pelas coisas boas que perderam. O tempo apenas seguiu o seu curso natural. Não há grandes responsáveis pelos erros dessas pessoas além delas mesmas e Anastácia soubera disso. “Deus nos concede a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, mas são as nossas atitudes que fazem com que essas pessoas permaneçam ao nosso lado”, concluiu.

Inegavelmente, as atitudes daquele senhor afastaram os seus sonhos e os desentendimentos entre os pais da menina apartaram o que eles tinham de mais bonito: o amor. Anastácia pareceu compreender o que fez com que o relacionamento dos pais cessasse: foi a falta de coragem.

Os acúmulos de nós na garganta sufocaram o casamento dos pais da menina. A mãe, sempre com o coração aflito, não tivera coragem de dividir seus importunos com o companheiro. O pai, sempre com pressa, escondera-se na falta de tempo para não conversar sobre eles. Pecaram em não compartilhar toda a sua história com o outro. Eis o segredo: para um relacionamento ter sucesso é necessário sentir-se confortável em poder conversar sobre tudo.

Anastácia fechou os olhos e pareceu absorver tudo o que ficou a pensar naqueles momentos. Ela e Benjamin caminhavam para o mesmo abismo daquele senhor e de seus pais: o rapaz deprimido que perdera os seus sonhos, a menina que amava silenciosamente por receio de compartilhar o seu amor. Foi quando Benjamin entrou pela porta e ela chamou por seu nome.

“Eu agora tenho coragem, Benjamin. E antes que você cometa o erro de acreditar que é muito tarde, deixe-me te fazer lembrar: tarde demais só depois da morte”. Uma sorte ainda estarmos vivos para encorajarmos os nossos corações. Uma baita sorte esbarrarmos em uma nova oportunidade! Eu quase posso acreditar em destinos... Fecha parênteses: teremos coragem ainda nessa vida.

domingo, abril 30, 2017

30 dias de 04 meses




"Senão é como amar uma mulher só linda 
 E daí? 
Uma mulher tem que ter 
 Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste 
 Qualquer coisa que chora 
 Qualquer coisa que sente saudade 
 Um molejo de amor machucado 
 Uma beleza que vem da tristeza 
 De se saber mulher 
 Feita apenas para amar 
 Para sofrer pelo seu amor 
 E pra ser só perdão
 [...] 
 Cuidado, companheiro! 
 A vida é pra valer 
 E não se engane não, 
tem uma só 
 Duas mesmo que é bom 
 Ninguém vai me dizer que tem 
 Sem provar muito bem provado 
 Com certidão passada em cartório do céu 
 E assinado embaixo: Deus 
 E com firma reconhecida! 
 A vida não é brincadeira, amigo 
 A vida é arte do encontro 
 Embora haja tanto desencontro pela vida 
 Há sempre uma mulher à sua espera 
 Com os olhos cheios de carinho 
 E as mãos cheias de perdão 
 Ponha um pouco de amor na sua vida."

SAMBA DE BÊNÇÃO 
Vinicius de Moraes e Baden Powell

ATRAVESSE ESSE PARENTÊSE

“As pessoas não são completamente ruins. Há inúmeros eventos entre o bom e o mau”, repetiu Anastácia.



Atravessamos cinco primaveras até esse reencontro e, as pequenas magias que experimentamos ao longo desse período, me fizeram compreender como o caminho que traçamos foi assertivo. Não poderíamos ter atravessado o rio por outra estrada, porque todos os caminhos estavam trancados para nós. Nós. Nós não tínhamos autorização do Senhor dos Destinos para caminharmos juntos, então a única forma de atravessar aquele rio, foi seguir sozinha.

As barreiras invisíveis que criamos desapareceram e aparentemente as estradas, agora destrancadas, estão cobertas de flores esperando os nossos passos calmos. Mas eu não tenho certeza se, após cinco primaveras solitárias, eu ainda desejo segurar a sua mão. Estou aflita, desesperadamente amedrontada de tocar a sua mão outra vez, pois, só de te olhar... Ah! Só de encarar os olhos seus... Um turbilhão de sentimentos escondidos reacenderam aqui dentro.

“Não é amor”, repito incansavelmente. Não pode ser amor depois de tantos nós na garganta. Não pode ser esse sentimento tão bonito depois de tanta decepção experimentada. Esses sentimentos espalhados aqui dentro, remexendo feridas que eu acreditei ter curado, deixaram-me a mercê de uma pessoa que eu pensei não ser mais. Eu não apenas deixei o seu caminho há cinco anos, eu também deixei de ser o que eu era. – Eu mudei, juro que mudei.

Mas nada disso importa, porque você nunca me conheceu. Tanto tempo juntos e tão pouco conhecimento sobre o outro! Às vezes, eu acredito que não foram os seus erros que nos distanciaram, não tinha como dar certo porque eu não sabia nada sobre você e nem você sobre mim. Não deu certo porque não tivemos a chance de participar um da vida do outro. E, ainda, a nossa distância se deu porque você era egoísta.

Eu considerei egoísmo uma série de ações que você cometeu e julguei que, por elas, você não era uma pessoa ruim para todos, mas ruim o bastante para me fazer mal. Ruim para mim. Primeiro, por nunca compartilhar os seus planos e, segundo, pois, enquanto eu almejava uma vida ao seu lado, seu único objetivo era não ficar só.

É egoísta estar com alguém unicamente pelo fato de que essa pessoa lhe faz bem, sem desejar construir uma vida com essa pessoa, sem estar verdadeiramente apaixonado por ela. Nesse tempo em que me prendeu ao seu lado, eu deixei de conhecer outras pessoas, pessoas estas que poderiam me conceder o amor que eu mereço. O amor que você não soube me entregar.

A parte mais dolorosa é me convencer de que esse amor, que eu esperava receber, na verdade nunca existiu. Eu amei sozinha. Eu amei por nós dois enquanto estávamos juntos e amei mais ainda cinco primaveras depois, silenciosamente. Amei até sobrar covardia. De nós dois, o que me restou foi o medo de amar outra vez.

Quando finalmente nos deparamos com a maturidade, depois de tantos passos solitários, esbarramos na covardia. O medo é o preço que as pessoas pagam quando deixam de lidar com as situações da vida. Ah! Os reencontros... Parece que eles irão nos assombrar por muito tempo. Um longo tempo até encerrarmos esse novo parênteses. Abre parênteses: (Quando nós dois teremos coragem?).

sexta-feira, março 04, 2016

04 do 03

"Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud." 


Carta ao Zézim 
Caio Fernando Abreu

MORTE DE AMOR OU DE REALIDADE?

“Algumas pessoas são presenteadas com a chance de amar mais de uma vez. Gosto de pensar que elas são o estereótipo de pessoas que se doam. Se entregam. Se atiram em precipícios. São pessoas verdadeiramente corajosas. Pessoas que não temem as mudanças. Pessoas que abrem portas ao invés de mantê-las intactas. Que escorraçam. Que sentem. Que inspiram. Às vezes eu sou desmiolada o bastante para acreditar que essas pessoas movem o mundo.” 


Há uma beleza indescritível nas frases de amor: o silêncio. Quando a voz silencia e resta apenas o barulho da respiração, o aconchego do abraço e a suavidade dos olhos fechados... Ah! Os bons e velhos românticos! Suas canções bossa-nova e o rock clássico, classiquíssimo! Eu gosto sempre de repetir: amor quando é bonito pode esbarrar na caretice. 

Mas será que o amor romântico anda lado-a-lado da realidade? Quantos amores foram deixados de lado em decorrência dos fatores reais? Talvez o ser-humano seja tão singular que um dia tropeçamos no amor versus realidade. E os ditados brasileiros parecem fazer sentido: nem só de amor vive o homem. 

Nós crescemos idealizando uma vida inteira: sonhos, metas, planejamento. No entanto, no meio do percurso, o coração acelera e pronto! Nós estamos apaixonados! Há os sortudos, e poucos, que continuam a viver a sua rotina mesmo estando enamorados. Contudo, há aqueles que precisam alterar todos os seus costumes para se adaptar ao lado do companheiro. E ambos os sujeitos, sortudos ou não, são felizes por amar. 

O que eu fico a pensar é naqueles que são completamente diferentes dos seus bem-amados. Que idealizaram suas vidas de uma forma distinta e que, se não houver compreensão e paciência, o companheiro muito provavelmente não poderá acompanhá-lo. Eu falo no ser-humano singular que não aprende a ser “nós”, a ser casal. E que individualizando as pessoas do relacionamento acaba por, sem perceber, criar muros onde deveriam ser construídas pontes. 

Então, é claro que não vai dar certo, mesmo com todo o sentimento envolvido. Se o casal não sonha junto, não cresce junto, não se cansa junto, esbarra na boa e velha dor de amor. Um dia um desperta e resolve ir buscar tudo aquilo que deixou para trás quando pensou que ser casal seria fácil. Não é.

Às vezes nós esquecemos o valor da verdade para tentar agradar. E, inconscientemente, nos ferimos.  Aqui um conselho importante: – não queira estar ao lado de alguém que vive um amor fantasia, prefira estar acompanhado de quem sente-se seguro em lhe dizer a verdade, sobre a sua vida, sobre os seus planos, sobre o relacionamento de vocês. Diálogo e exteriorização tem sido o segredo dos casais que não fazem parte da população divorciada deste país. 

Outro segredo? É que mesmo real, o amor não pode deixar de ser fantasiado, de ser bonito. Declarações inesperadas, viagens românticas, músicas que descrevem nós dois... faz a vida em conjunto ser mais leve e inspiradora. Sabe, eu gosto sempre de repetir: amor quando é bonito pode esbarrar na caretice. 

Mas não pode nunca tropeçar nos acúmulos de nós na garganta. Ou senta na mesa e joga as cartas, ou sai pela porta da frente. Essa é a regra. Se for para amar pela metade, não entre nesse jogo, é furada! Dê-se a oportunidade de encontrar alguém que lhe faça ser amor por inteiro. 

Companheirismo. Entender as prioridades do outro e respeitar suas formas de priorizá-las. Acredito que o grande problema das relações está baseado na falta deste ingrediente. Eu já mencionei: o ser humano é singular por natureza! Se não puder ir de encontro daquilo que sempre almejou ao lado do seu bem-amado, ele vai sozinho. E às vezes eu caio na tolice de acreditar que a solidão é melhor do que esperar vinte anos para perceber que levou uma vida desencadeada de insatisfações. Se for para frustrar, frustre agora: juventude, sem filhos, sem brigas por herança ou pela falta dela... 

Ora essa!  O que deu nessa mulher para murmurar tantas besteiras nesse começo de ano? – Ah! É que estou à questionar: Se você continuar me tratando da mesma forma que me trata hoje, daqui a vinte anos, eu ainda estarei feliz? 

Se a resposta for “sim”, 
morro de amores. 

Entretanto, 
se for contrária,
tropecei no amor versus realidade.

domingo, agosto 16, 2015

16 dias de 08 meses

"Have another little piece of my heart now, baby, hey 
You know you got it, child, if it makes you feel good!"

PIECE OF MY HEART, JANIS JOPLIN


LEMBRETE

"Deixar nas mãos do tempo e esperar que a ferida cure é um risco que corremos, às vezes necessário, noutras vezes, irremediável."



Era pós-carnaval e a última banda já havia passado por ali. Nas ruas restou apenas a sujeira dos blocos e o silêncio do final da festa. Mariana provavelmente não se recorda, mas esse foi o dia em que conheceu o seu bem-amado. A moça da cidade grande, acostumada a se interessar por homens de terno e gravata, apaixonou-se pelo sorriso do menino Leandro. Ah! Essa insistência do amor em surgir nos lugares em que menos se espera... 

Era estranhamente bonito a diferença entre os dois. Ela tinha toda a sua vida planejada, ele, no entanto, apreciara permitir que a vida lhe mostrasse os caminhos. Mariana preenchera os dias com as suas palavras, já Leandro se destacara por sua alegria e afeto. Eu costumo dizer que, enquanto a moça era o arroz, o menino era o feijão. 

Aquela foi a primeira vez em que Mariana se apaixonou por alguém que a tratara bem. Os outros não souberam enxergar as coisas boas que a moça trouxera em seu coração. Antes de Leandro, Mariana era o tipo de mulher que se interessara por homens que a destratavam. Tanto que demorou longos meses para perceber o quanto era confortável estar ao lado do menino. Ela se apaixonou gradualmente. E, inexplicavelmente, sentia-se como se fosse o seu primeiro amor. 

Tudo era novidade. A moça nunca havia recebido flores, nem convites para jantares, tampouco cartas. Leandro não se cansara de mimá-la. Pouco a pouco, ela deixou com que o menino entrasse e, aquela casa que antes era vazia, agora era cheia de flores. O menino plantou um jardim dentro de Mariana. 

O amor floresce. O amor não necessita de requisitos. Não importa se ela é magra ou se ele escuta Caetano. Quando o amor nos habita, sobreviveremos aos empecilhos do dia-a-dia, desde que durante a noite possamos abraçar a pessoa amada. Ah! Os abraços! Fortes, quentes e silenciosos... O resto do mundo desaparece quando estamos nos braços de quem amamos.

Mariana não consegue recordar-se do dia em que o conheceu, no entanto, não se esquece do dia em que percebeu que estava apaixonada: nos braços de Leandro, com a cabeça deitada em seu peito, ela percebeu que não desejara estar em outro lugar. Ela queria que aquele momento não terminasse. Ela queria morar dentro daquele abraço. 

segunda-feira, agosto 03, 2015

03 dias de 08 meses

"Você que inventou a tristeza... 
Ora! Tenha a fineza, 
de desinventar." 

 APESAR DE VOCÊ, CHICO BUARQUE


SEM SE DESPEDIR

"Analisou cuidadosamente a minha reação de espanto e perguntou: "Em que ovos você pensou que iria pisar?". "Não eram ovos", respondi. Eu imaginei flores e pontes sobre rios de tristezas. Sonhei em percorrer estradas frias enquanto o meu coração mantivera-se quente. Não queria ser atingida por essa falta de fé que contamina o mundo... O meu desejo era preencher as lacunas de outras pessoas. Nunca pensei em completar os meus próprios espaços. Creio que nunca fui egoísta e, se fui, então fui descuidada. Como eu estava dizendo, eu imaginei flores pelo caminho e quando comecei a caminhar, percebi que a minha missão era plantá-las. Esse é o erro: desejar um jardim sem colocar as mãos na terra."




Perdoe-me a demora, meu amigo. Há tempos que não lhe escrevo. Não por falta de palavras, pois tu bens sabes que elas me sobram. Mas por angustia. Ando demasiadamente rasa. Esperando que algo me preencha e me faça transbordar. Ah! Doce amigo! Eu sinto muito por ter me modificado tanto! E por essas mutações me afastarem de você... 

Tenho pensado muito sobre despedidas. Acredito que, no momento, elas me atormentam porque os velórios voltam a bater em minha porta. – O que é uma despedida? – Um abraço, um adeus, um eu te amo... – Que valor tem um breve momento de se despedir perto de uma vida inteira ao lado de alguém? As despedidas são desconsideráveis, meu amigo. O que importa é tudo o que fazemos enquanto vivemos ao lado das pessoas que nos são importante. 

A tortura se encontra no meu bloqueio de exteriorizar. Essa minha contradição sufocante em desejar algo e me privar por medo de correr na direção contrária, de fechar portas sem ao menos tentar passar por elas... 

Nós mudamos tanto, não é? Admiramos o desamor e todos aqueles que, silenciosamente, alimentam o medo de se entregar. O ego parece mais importante que transmitir bons sentimentos. Nós valorizamos a liberdade irreal de não nos prendermos e, como tolos, estamos sendo covardes. Eu não encontro sentido nas distâncias em que criamos. 

Eu só consigo imaginar uma vida onde você está perto, meu amigo. Nesses adágios, há ocasiões em que não trocamos uma sequer palavra e então compreendemos que o silêncio é capaz de uma comunicação finita. Talvez o nosso grande erro esteja em não calar. A dádiva da palavra é cultivá-la antes de jogá-la para fora. Eu sei que os nossos silêncios não estão cultivando frases, mas paralisando-as. 

Será que tu podes me enxergar? Será que tu sabes como a saudade não me abandona? Ah, meu amigo! Será que imaginas como o teu sorriso pode mudar o meu dia? Eu decidi que não irei me despedir. Embora a minha mente persevere na ideia de ir-me, meu corpo encontra-se imóvel, persistente em seus braços. 

Se tu soubesses todas as coisas que eu lhe desejo... Pena que essa roda vida não vai parar nessa estação. Pena que não é primavera. Pena que tu vais partir de novo... o meu coração. Só lhe peço a delicadeza de evitar as despedidas.