sábado, março 26, 2011

E.

MENSAGEM DE AMOR
Composição: Herbert Vianna.

Os livros na estante,
Já não tem mais,
Tanta importância.
Do muito que eu li,
Do pouco que eu sei,
Nada me resta...

A não ser,
A vontade de te encontrar.
E o motivo eu ja nem sei...
Nem que seja só para estar,
Ao teu lado só pra ler,
No teu rosto:
Uma mensagem de amor.

A noite eu me deito,
Então escuto,
A mensagem no ar.
Tambores runfando.
Eu ja não tenho,
Nada pra te dar...

A não ser,
A vontade de te encontrar,
E o motivo eu ja nem sei...
Nem que seja só para estar,
Ao teu lado só pra ver,
No teu rosto:
Uma mensagem de amor.

No céu estrelado,
Eu me perco,
Com os pés na terra,
Vagando entre os astros.
Nada me move,
Nem me faz parar...

A não ser,
A vontade de te encontrar.
E o motivo eu ja nem sei...
Nem que seja só para estar,
Ao teu lado só pra ler,
No teu rosto:
Uma mensagem de amor.

É dado outro nome.

Como de costume, cheguei já era madrugada. A porta da casa encontrava-se aberta: “Esqueci de trancá-la outra vez!”, pensei. Característica minha, bem minha, própria minha: distraída, – inventaram a distração depois que nasci. Entrei em casa. Tranquei a porta. Fui até o banheiro, lavei o rosto, tirei as roupas, andei até a cama: despenquei. Exausta, – é assim que me sinto todas as noites ao deitar-me. Peço mais do que posso pedir à mim mesma, e ainda acho que não é o bastante. Dia e noite trabalhando, estudando, lendo. Sem ter tempo à mim. Por descuido, ou por promessa. Ou, quem sabe, eu me provoque isto: manter a mente ocupada faz-me pensar menos.
Então era só isto que eu precisava: ocupação dos pensamentos. O fato de pensar naquilo que não queria, era pelo tempo que me sobrava... Se tudo era tão simples, eu cá não estaria.
Mas o telefone toca. Surpreendentemente, ele toca. E tem um toque irritante, uma música que odeio, e nem fui eu que a coloquei ali. Pois de tão irritante, dou-me ao trabalho de levantar-me para atendê-lo. “Ê-lo”, isto mesmo: atendê-lo. Era ele. As mãos não sentiam vontade de tocar no telemóvel, na cabeça não se passava pensamento algum, – mas o coração batia forte, tão forte que os olhos sentiam vontade de chorar. Paralisei.
Fiquei olhando o telemóvel até a música irritante parar de tocar. E quando parou, o coração foi apertado por uma angustia repentina. Sentei-me na cama. Suspirei. E eu já soubera tudo o que iria acontecer daquele momento em diante.
O telemóvel tocaria outra vez, eu o atenderia tão depressa que, sentiria minha voz falhar. Conversaríamos um pouco, falaríamos que estávamos com saudades, marcaríamos um horário e um local para nos encontrarmos, e ele se atrasaria. Mas quando chegasse, olharia em meus olhos, –, tão profundamente que eu esqueceria o atraso e qualquer outra raiva que havia de ter me feito passar. Ele, então, começaria a sua ladainha de palavras doces. Eu iria manter-me calada, mas iria acreditar, – e iria gravar cada detalhe de suas palavras, como se fossem juramentos; E cada detalhe se tornaria uma esperança involuntária em meu coração: “vai voltar a ser como era”. Pois não voltaria. No dia seguinte eu iria sentir uma vontade insaciável de encontrá-lo, mas não iria atrás. Esperaria algum sinal, qualquer sinal que, não viria. Nenhuma ligação, nenhum encontro casual, nada. A noite passada foi apenas mais uma. Eu, – era apenas mais uma; E todas as vezes em que me senti especial, deveria saber que outras mulheres também se sentiram assim.
Perdida em meus devaneios. Fui acordada com o maldito toque do telemóvel. Suspirei, e “como eu suspiro fundo nesses momentos”, pensei. – Respiro o máximo de ar possível, seguro por alguns segundos, depois solto. – Levantei-me, peguei o telemóvel, atendi com um desinteresse forçado. “Alô”, disse ele. E meu coração já não pertencia mais a meu corpo, ganhava vida própria, saltava descontroladamente por todo o quarto.
Ele falava. E eu, – perdida, concordava. Não queria falar, mas queria falar com ele, – e há uma grande diferença nisto. Foi quando, de repente, ele começou a falar sobre nós dois e, eu, desliguei o telemóvel. Não! Não desliguei a ligação, desliguei o aparelho.
Enfiei-me em baixo das cobertas e dormi o resto da noite. Sem me importar com o livro que tinha de terminar a leitura, nem com a televisão que eu deixara ligada na sala... Não. Nada disso. Eu só queria dormir.
E o sonho foi mais um mistério para mim: ele, sempre presente em meus sonhos, cantava meu nome com voz de amor. E, sonhando, eu tive certeza: era só disto que eu precisava.

O orgulho nos mata, mata tanto, fere tanto, parte-nos ao meio. Não quero acreditar que falta amor, quero acreditar que sobra orgulho. Que é isto que nos separa: o orgulho, – é a distância entre nossos corações. Que não fomos feitos um para o outro, e justamente por isso, é que nos amamos. E amamos verdadeiramente. “Verdade” é a palavra que toma minha vida desde que me senti sozinha. Mentiras destroem tudo; – Mentiras têm o poder de demolir casas e barrancos, de arrancar pedaços e queimar papéis. E sinto a mentira sobre mim quando penso em você, confesso.

Mas a noite fala comigo. E meu sonho é mais um sonho lindo. – Querido, eu queria entender como pude me apaixonar por alguém que não mora na mesma rua que a minha. Destinos paralelos. Caminhos intocáveis, e que se atraem.
Se todo o amor que você construiu aqui dentro de mim, não é o suficiente para dar-me teu endereço, – não posso entender o amor, ou entender que tipo de amor você deseja. Porque o amor não é assim. “Amor é mais que amar”.

*  *  *

(...) E acordo cantando. Com o sorriso estampado em meu rosto. Não pela noite passada. Mas porque toda manhã é um novo dia, e algo dentro de mim cobra-me meu bem estar, minha própria paz. Chama-se: “recomeço”.

domingo, março 13, 2011

É.

PAPELÃO
Luiz Melodia
Compositor: Geraldo das Neves.

Veja que papel você está fazendo!
Pouco a pouco, nossa amizade vai morrendo...
Deixando-me assim,
Numa situação igual a esta.
Para mim, inspiração.
Pra você, um mês de festa.

Sei sofrer calado.
Com bastante resignação.
Depois de tudo,
Vamos ver quem tem razão.

Os dias foram passando,
Nosso amor se acabando...
E eu vivendo em completo abandono.
Fostes infiel.
Demais cruel!
Meu coração, agora, está sem dono...

Vai embora saudade. Vai!

Os dias passam rapidamente e eu sigo uma solidão tranqüila. As tarefas que surgem ao decorrer de cada dia, concluo com perfeição. Concentro-me. E não quero olhar ao canto dos olhos. Pois quando o sol se põe, e a lua aparece anunciando a noite. Há um sentimento, qual não sei se posso chamá-lo “saudade”, que aperta o peito e me domina. Que faz-me voltar no tempo, reviver todas as recordações, encontrar um motivo. Quebro a cabeça e não acho o ponto onde nos perdemos. Aquele maldito clichê que todos vivem por não dizê-lo, fez-se real: “éramos felizes e mal sabia-se”. Mal sabia que, a vida trataria de por tudo de pernas para o ar, e mudar aquilo que nem soube existir.
Choro uma tristeza sem lágrimas. Escrevo sem muitos propósitos, –, já sei que tu não irás ler. Corrói-me um ciúme indesejável. E, todas as vezes que o telemóvel põe-se a tocar, fecho os olhos e sonho que és tu querendo ouvir-me a voz. Pois não és.
Espero atentamente por um sinal, uma mensagem, um grito pedindo a minha volta. Espero qualquer coisa, qualquer palavra, qualquer mentira...
Meu amado, – os dias não estão sendo-me fáceis. Problemas os invadem, tomam conta de minhas manhãs e tardes, e enchem-me de tristezas. E quando o escuro da noite vem assombrar-me, tu não estás mais ali para me acalmar. Porque, já lhe disse: ao teu lado tudo me parece mais fácil. Esqueço o inevitável e entrego-me a ti com verdade.
Não sei ao certo se sinto falta do teu amor. Não sei ao certo se sinto falta de você. Sei, com certeza, que sinto falta da paz que me trazias, –, assim, sem querer... Então, ao balanço do silêncio da noite, escuto canções – melodias de letras tão doces – que me trazem você. Já peguei-me lendo minhas próprias resenhas, tentando reviver meus próprios sentimentos, – sabendo, que cada palavra de amor – lhe descrevia.
Tratei de sonhar outro futuro, e lhe tirar do mesmo. Agora sinto medo de lhe ter de volta em minha vida. O vazio, por mais doloroso, já não enfrenta decepções. E me decepcionei tanto! Tanto!
Às vezes, bato minha mão ao peito com a certeza de que te levei ao esquecimento. Noutras vezes, esta maldita saudade me toma e mostra-me que meu amor aumenta a cada minuto.
Já não me entendo. Apesar de manter tudo no lugar. Sinto-me confusa.
Queria-te ao meu lado para me saborear das certezas. Para provar a mim mesma, o que é certo: amo-te agora e sempre, mesmo que tu deixes de me amar.
Não sei por onde tu andas. Olhei em teus olhos na única e última vez que nos encontramos e, soube: já não lhe conheço.

O que nós estamos fazendo com nós mesmos?

* * *

Os dias passam depressa. As noites é que são lentas e dolorosas.

terça-feira, março 08, 2011

I love him.

“Se ainda ama-me? Não sei. Não sei. Quem me dera saber... Só sei, bem sei, e como sei: que ainda o amo. Amo-o com cada parte de meu corpo. Amo-o sem um pingo de lucidez. Amo-o com cada sentimento que me é insensato. Amo-o com os olhos, com os cabelos, com a boca, com o nariz, com a pele, com o coração. Amo-o incontrolavelmente. Amo-o e só por amá-lo, já o amo demais. Amo-o e não sei onde este amor começa, então nunca saberei onde ele termina.
Amo-o, e deixo cada palavra de amor como uma tatuagem em meu corpo. Como um sinal, como um pedido: “volta, porque o amor tatuado em mim – tem teu nome”.

À mulher, toda mulher.

de
Martha Medeiros

"Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar o nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá prá ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar loura e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota.
Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra".

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

S-A-U-D-A-D-E.: sete letras.

“Saudade”, palavra unicamente brasileira. Não deveria ser levada tão a sério. Mal deveria existir, bem digo. Saudade é um sentimento meio invocado. Com tantas definições! Vira e mexe, a gente acha uma definição de saudade. Vira e mexe, a gente se destrói com alguma definição de saudade.
Saudade da mãe, do pai, do avô, da avó, do irmão, da namorada... Saudade do passarinho que voou. Saudade do cachorrinho que fugiu ou morreu. Saudade da comida daquele restaurante que ficava na esquina da minha antiga casa. Saudade do tempo de felicidade...
Não que não sejamos mais felizes, nem que éramos mais felizes naqueles dias. Mas... saudade! Ah! Saudade! Que cala, que fere, que derrama lágrimas, que nos traz lembranças...
Saudade a gente representa nas reticências, ou, das vezes – até a exclamamos: “Saudaaaade! Que saudade!”.
Saudade do que se foi, do que valeu à pena viver, do que era real. Saudade a gente deixa moer o fundinho do coração.
Saudade, às vezes, a gente mesmo constrói. Ou, a gente evita.
Saudade a gente tem do sonho que não se realizou. Da peça de teatro que a cortina não abriu. Saudade do que não terminou. Saudade do que nem começou...
Saudade daquele fim de tarde... Saudade daquela noite chuvosa... Saudade do calor em baixo dos cobertores... Saudade do chazinho que a mãe aprontava quando nos sentíamos resfriados; E levava na cama; E passava a mão macia no rosto e dizia com aquela voz preocupada que só as mães têm: “Toma, filhinho! Toma o chazinho que a mãe fez. Assim você melhora...”.
Saudade da época que a gente andava de bicicleta com os moleques da rua. Saudade do dia que a diretora pegou a gente furando a parede do vestuário das meninas. Saudade das broncas do nosso pai, pedindo-nos responsabilidade: “Acordar cedo! Nada de chegar tarde, moleque! Não vá dirigir bêbado! Olha com quem você anda!”. Saudade dos olhares de saudades dos nossos pais, que nos olhavam parados, imaginando o futuro, recordando o passado: “Como meu filho cresceu...”.
Saudade da primeira namorada. Da primeira bicicleta. Do primeiro vídeo-game. Dos primeiros anos de escola. Do primeiro carro. Do primeiro porre. Dos primeiros amigos. Dos amigos que a gente leva pela vida... E dos amigos, que a vida, já nos levou.
Saudade daquela pescaria. Saudade do primeiro livro. Saudade daquela banda de rock. Saudade daquela música. Saudade daquele filme. Saudade...
Saudade daquele sapato que quebrou o salto. Saudade daquele batom. Saudade daquele vestido velho. Saudade daquela noite de pijama na casa das amigas. Saudade da boneca com cheirinho de café. Saudade do grupo musical que dançava aquela coreografia “breguinha”, mas que na época, óh! Saudade...
Saudade a gente vive tendo. Não é? Saudade do cheiro, do sorriso, do olhar, do jeito, do momento...
Saudade a gente leva com a gente. É toda vez que a gente senta, e ela vem... É involuntário. 
A saudade é meio inconveniente. Meio chata. Meio sem direção...
E eu só tenho um remédio para a saudade: o abraço.
Ah! O poder de um abraço bem dado! Daqueles que sufocam. Que o calor da outra pessoa passa pra gente... Aquele abraço que nos acolhe, que se encaixa, que manda a saudade pra bem longe.

domingo, março 06, 2011

A.

ONDE ANDA VOCÊ?
Composição: Toquinho, Vinicius de Moraes e Hermano Silva.

E por falar em saudade, onde anda você?
Onde andam seus olhos que a gente não vê?
Onde anda esse corpo?
Que me deixou louco de tanto prazer...
E por falar em beleza, onde anda a canção?
Que se ouvia na noite dos bares de então?
Onde a gente ficava, onde a gente se amava,
Em total solidão.
Hoje eu saio na noite vazia,
Numa boemia sem razão de ser.
Na rotina dos bares, que apesar dos pesares,
Me trazem você.
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia, me aparecer.
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares...
A onde anda você?