segunda-feira, abril 25, 2011

Yes, [we] can!

Tem um coração batendo desordenadamente dentro de meu peito. E eu quero jogá-lo fora todas as vezes que ele me deixa assim: enfraquecida. Numa espécie de êxtase quase mortal, quando – o coração – é senão um órgão primordial. (...) Eu não sei. Não sentia vontade alguma de qualquer contato até aquele momento. O momento em que meus dedos tocaram o telemóvel e automaticamente, quase involuntariamente, discaram o teu número. A primeira vez que a ligação chamou, meus olhos se fecharam, desliguei. Cravei minhas mãos sobre o banco onde eu me encontrava sentada, lado-a-lado de meu corpo, formando uma cadeia: mão, perna, perna, mão. Abaixei a cabeça, suspirei, permaneci num devaneio de minutos longos. Até que meus dedos se prestaram à uma nova tentativa: a mão pegou o telemóvel novamente, e os dedos discaram o teu número. Chamou, tu atendeste. Eu perdi a voz. Qualquer ensaio feito nos minutos de devaneios, para um diálogo perfeito, quase entre amigos, – tornou-se o esquecimento mais rápido de minha vida. “Covarde!” eu mesma me julgava, dizia, repetia, lamentava. Era a chance de lhe falar aquilo que venho tentando guardar por tantos meses. Era a chance de lhe ver mais uma vez... E eu, sentindo que não era o momento. Desliguei o telemóvel rapidamente. Cravando os dentes sobre os lábios. Devorando a beleza dos meus sonhos num medo cruel.
Eu não sei tudo o que eu quero, mas eu sei que eu não quero isto. Não quero apagar-lhe da memória, porque todos me mandam fazer o certo. Se isto é um erro, eu quero errar. – Não quero manter-lhe distante o suficiente para lhe esquecer. Nem quero que o mesmo aconteça à você, já tendo me esquecido ou não. – Quero lembrar-lhe de que quando seu corpo sentir-se fraco, eu estarei aqui para que tu possas se firmar em mim. Quero lembrar-lhe de que eu era a menina que lhe escrevia sobre o amor e lhe enchia de esperança. Quero me lembrar de que o único sentimento que eu tinha por ti, era o de “seja feliz, ficas bem”. Não quero este ódio e esta mágoa, nem este medo do futuro. Quero arriscar. (...) E não sei por quanto tempo irei querer.
As pessoas têm um sério problema de separar o “querer” e o “poder”, o “certo” e o “errado”. Quando eles andam juntos. – Elas costumam querer assim: Eu quero aquilo, mas perante a situação e o que a sociedade acha, – eu não posso. Acham que o querer e o poder é algo social, quando é totalmente individual. E não falo sobre o egoísmo. O egoísmo é diferente do individualismo. (...) Quando é simples: Eu quero aquilo e Eu – posso aquilo. Se o que eu quero é certo, ótimo! Se o que eu quero é errado... – nem tudo na vida é certo. (...) Aqueles que tentam perante ao que os outros acham certo, permanecem sentados. Propriamente dito, permanecem na infelicidade do fracasso. – Já aqueles que querem e correm atrás para conseguir aquilo que eles próprios sonharam e desejaram – estes – caminham. São os chamados: “filhos do sucesso”.
Eu estou aprendendo a querer e poder aquilo que minh’alma pede. Aquilo que realmente me satisfaz, isto – sem a opinião dos outros que, de fato – não fornecerá e nem me levará até a minha felicidade.
Talvez, naquele momento, eu só queria ouvir a tua voz. Recordar o timbre. Fazer sorrir os ouvidos com o som da tua risada. (...) Mas eu me senti sem espaço. Às vezes acho que você me esqueceu. Enquanto eu fico aqui, querendo...

Volta e dá qualquer resposta para este coração: Sim. Não. Tanto faz. Só o acalma, por favor! – Volta e diz se eu posso querer você. Porque quando queremos algo que se move, o objetivo tem força diante da conquista.
Volta e adoça meu coração com a tua ternura. Passa as tuas mãos pelo meu corpo, cobre-me do teu amor momentâneo, e sorri para mim. Volta e devolve-me alguns minutos de paz. Volta, que eu prometo desarmar minhas barreiras e fornecer-lhe um espaço único, – Onde amor, não irá lhe faltar nunca mais.

* * *

Eu quero, então Eu posso.

* * *

Individualista: 01. Pessoa que pensa só nos seus interesses. 02. Anda sozinho.
Egoísta: 01. Apego excessivo a si mesmo, em detrimento dos interesses alheios. 02. Aquele que quer tudo para si.

quarta-feira, abril 20, 2011

E.

SONETO DE FIDELIDADE
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto.
Que mesmo em face do maior encanto,
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento,
E em seu louvor hei de espalhar meu canto.
E rir meu riso e derramar meu pranto,
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure,
Quem sabe a morte, angústia de quem vive.
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama.
Mas que seja infinito enquanto dure.

Back in the summer.

Tu já foste presenteado com uma pedra falsa que brilha? Acho que eu já. E sinto falta desta pedra sem valor. (...)

Sinto falta das cores que foram arrancadas do arco-íris; Pois há alguns meses ele tinha cores tão lindas que meus olhos enchiam d’água de felicidade. Falta me faz o cheiro que a vida tinha; Era suave e havia um refrescar natural e único quando o ar entrava e saía pelos pulmões. Sinto-me triste todas as vezes que me pego a recordar o toque da música; A melodia era tão eficaz que a letra da canção entrava pelos ouvidos e se guardava intacta no coração. Ainda fecho os olhos em nostalgia todas as vezes que a imagem do passado me vem; Pois toda a pureza e a alegria parecem que me foram tiradas. (...) Ah! Bonita... Como era linda a época em que as flores mais lindas pertenciam aos meus olhos, – E não falo da primavera. O calor daqueles dias era algo como o verão.
Era assim que eu me sentia: apaixonada. E eu queria ter aproveitado cada minuto dos tempos felizes. Não que eu não seja mais feliz, mas a felicidade me era tão pura naqueles dias – que, ali sim eu pude almejar sonhos. E construí tantos! Sonhos e sonhos. Noite e dia, – eu sonhava... Sonhava tanto que o mundo estava em minhas mãos. Poderia até sacudir um pouco para agüentar-lhe o peso, mas o mundo era meu e meus braços podiam abraçá-lo. Abraçá-lo tão fortemente que eu esperava nunca deixá-lo ir... Porque era meu. Como um todo: o mundo me pertencia de tal forma que eu me sentia grande. Grande ao tamanho de Deus para agradecer todos os dias pela beleza daquela vida. Grande ao tamanho de Deus para sentir-me intima Dele e falar-Lhe que poderia dar conta do recado. Grande ao tamanho de Deus para sentir-me forte o suficiente quando, de repente, o mundo desabou. Caiu de minhas mãos; – Sem que meus braços pudessem puxá-lo novamente. Era isto: Deus mostrou-me que eu era pequena e que o mundo era tão grande que não poderia ter um dono.
Deus não é ruim. Deus só queria que eu aprendesse novamente aquilo que eu já sabia: O amor é puro e livre. O amor é lindo e sereno. O amor é tão bonito que qualquer coisa comparada à ele, torna-se apenas “qualquer coisa”. O amor é definitivamente... amor! Tão amor que eu não poderia enganá-lo. E nem conquistá-lo de qualquer forma ou à qualquer custo. Tão amor que ele não tem data, nem hora, nem significado. O amor é tão amor que, ele vem. Na hora certa, no dia certo, – com e pela pessoa que pode lhe amar.
E eu ainda não descobri se era realmente possível, mas eu inventei uma forma de amor. Amor daqueles lindos, sabe? Amor de novela. Drama mexicano mesmo! Com direito a “quase tapas e quase choros”, aqueles gritos e gemidos de raiva, e carinhas tristes de solidão e saudade... Eu tinha uma história linda de amor. Com o mundo em minhas mãos. E eu não sei em qual parte, ou em qual final – eu errei. Às vezes acho, com certa certeza que, o erro foi o início. Amor este que não me arrependo, mas que poderia ter passado a vida sem tê-lo. Amor que começou errado, terminou sem um fim.
O “fim” é qualquer palavrinha de três letras que junto à “saudade” torna-se um sentimento triste. Poetas são tristes. Eu talvez devesse abster-me das palavras para poder ser feliz. Ou compor uma música ao meu passado de forma tão verdadeira que ele voltará à mim como sempre foi. E seria lindo: O Recomeço. O recomeço seria algo tão belo que, descrevê-lo seria impossível.
Mas a canção deveria ser dignamente linda. Tão linda que pudesse descrever cada sentimento que guardei ao longo dos meses que se passaram desde aquele verão.
A canção iria ser tão longa, de melodia tão alternada, com tanta mistura que – o mundo se perderia ao ouvi-la. Mas ele saberia: A voz que a cantaria seria uma voz única. A voz do coração.
Eu pegaria partituras de cada música que embalou meu verão, e juntaria a minha composição. Ainda enfeitaria com milhares de palavras doces; E o final seria brilhante.
Coisa de filme!
Arabescos coloridos enfeitariam as pedras falsas que juntei ao longo do caminho. Ali, naquele momento, elas se tornariam reais.
O meu castelo seria construído em cima de algo móvel. Próprio ao movimento. Para que eu pudesse levá-lo junto ao futuro.
As estrelas brilhariam. Novamente.
O mundo voltaria a ser meu. Mas não meu. Agora, ele seria apenas digno do meu: O meu amor.
Amor aquele de verdade: Amor! Assim, pontuado na exclamação. Verdadeiro e, forte o suficiente para recomeçar das cinzas que a saudade deixou. (...)

* * *

O mundo tem nome.
Espero um dia poder escrevê-lo sem medo.
Escrevê-lo sem tê-lo de chamá-lo por "mundo, amado ou querido".
Sem pseudonomes.

O nome mais lindo habitaria minhas palavras.
O verão voltaria, devolvendo a felicidade eterna.

segunda-feira, abril 18, 2011

A.

SOZINHO
Caetano Veloso
Composição: Peninha

Às vezes no silêncio da noite,
Eu fico imaginando nós dois...
Eu fico ali sonhando acordado,
Juntando... o antes, o agora, e o depois.

Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho.

Não sou, nem quero ser, o seu dono.
É que um carinho, às vezes, cai bem...
Eu tenho meus desejos e planos, secretos.
Só abro pra você, mais ninguém.

Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta,
É claro que a gente cuida.
Fala que me ama,
Só que é da boca pra fora.
Ou você me engana,
Ou não está madura...

Onde está você agora?

A dica.

Ontem, 02 de abril de 2011.

Estou sozinha de amor [es].

Eu precisava sucumbir o que minh’alma vazia tinha a me dizer. Como poderia sentir e não saber o que sinto? Sinto medo de seguir ou sinto falta do passado? Creio que as duas opções equivalem o mesmo resultado. Sento-me ao chão frio do banheiro. Converso com o vazio das lajotas brancas. Ninguém pode me ver, ninguém pode me ouvir. Sou só eu. Assim como sempre fui: eu, e mais ninguém. As palavras já não me satisfazem, o tempo já não me parece meu. Os dias passam rapidamente e eu sinto-me parada. Chega uma hora que a solidão nos cansa.
A solidão é minha. A solidão não lembra-me cores escuras. Ao contrário, ela faz-me lembrar o colorido. É quando estou em uma festa e olho as luzes se encontrando junto com a sonoridade da música que me atormenta os ouvidos e me excita a dançar. É quando posso sair sozinha pelas ruas sem dar satisfação a ninguém. É quando acendo meu cigarro olhando um céu estrelado de uma noite tranqüila. É quando compro-me um par de sapatos vermelhos e procuro no guarda-roupa o vestido velho que usei em uma festa de quinze anos. É quando dou risada em frente à televisão assistindo aquele filme de drama. É quando danço sozinha. É quando escolho meu par ao final da noite ou quando me escolhem. É quando não há um amor. É quando sou eu mesma. É quando há saudade... A solidão é linda, – e me assusta.
Cansei de estar sozinha ou acompanhada pela metade. Apetece-me mais que um amigo, ou alguém para aquecer-me o corpo. Apetece-me ter alguém para dividir os acontecimentos de minha vida: as derrotas e as conquistas. Apetece-me ter alguém para dividir meus sonhos, mesmo que em meus sonhos esta pessoa não possa estar. Apetece-me alguém que, eu possa fazer uma ligação de madrugada para contar meu pesadelo, pedir proteção, falar do meu dia, declarar meu amor... Apetece-me alguém com quem eu possa dividir minha xícara de café ou por à mesa duas xícaras toda manhã. Apetece-me alguém para receber recadinhos românticos inesperados durante o dia. Apetece-me alguém com quem eu possa conversar claramente sobre o que sinto e sobre o que quero. Apetece-me alguém para conquistar todos os dias e ser conquistada assim. Apetece-me alguém para ser leal e cúmplice. Apetece-me alguém para criar um laço de amizade. Apetece-me alguém para namorar. Apetece-me alguém para preencher de amor minh’alma que perambula por respostas onda não há perguntas. Apetece-me alguém para dividir minha vida e completar minha solidão.

* * *

Hoje, 03 de abril de 2011.

É quando fecha-se os olhos que não podemos enxergar. É quando não enxergamos que mal sabemos ouvir. É quando mal sabemos ouvir que sabemos falar. Porque falar é algo nosso, é de nossa alma. Falar é pedir. E pedimos demais.
Cansei-me da solidão com os olhos fechados. Resolvi abri-los. Surpreendi-me com o óbvio: O amor é tão simples que, ele sempre esteve ali. A única coisa que faltava era: olhar para os lados... Achei-o.

* * *

A vida não para nem por um segundo, –  nem enquanto tu dormes.
As coisas acontecem.

Abra os olhos!

Novo tipo de amor.

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei.

Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.

Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.

Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não à partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação,há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

(Flávio Gikovate - médico psiquiatra)

* * *


Anota:
"...O amor romântico diz que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Estamos começando a perceber que nos sentimos fração, mas somos inteiros.

A nova forma de amor quer a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo.

Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável."

E.

Sorte tem os gêmeos. Nasceram acompanhados.

Somos sozinhos, – assim nascemos. Sozinhos e inteiros. Durante a nossa vida, tudo aquilo que sentimos é nosso: alegria, dor, desejo, medo... É nosso porque só nós podemos sentir. Não precisamos do corpo de outra pessoa para respirar. Então, não importa o quão teu coração foi ferido, – a vida continua. (...) Devemos aprender que não importa se as ações foram feitas num projeto de união: eu e você juntos. O resultado delas é o mesmo: o que você irá sentir, e o que o próximo sentirá. (...) Se fossemos um todo, nasceríamos grudados.

Mas há uma grande diferença em ser e estar. Somos sozinhos, e estamos... sozinhos. Ser é fardo, estar é opcional. A solidão pode ser preenchida. A dica: Abra os olhos!

terça-feira, abril 05, 2011

Agora...

DEIXA ACONTECER
Composição: Vinícius de Moraes e Toquinho.

"Ah... Não tente explicar.
Nem se desculpar.
Nem tente esconder...
Se vem do coração,
Não tem jeito, não!
Deixa acontecer...

O amor, essa força incontida,
Desarruma a cama e a vida.
Nos fere, maltrata e seduz.
É feito uma estrela cadente,
Que risca o caminho da gente,
Nos enche de força e de luz.

Vai debochar da dor,
Sem nenhum pudor,
Nem medo qualquer.
Ah...sendo por amor,
Seja como for...
E o que Deus quiser!"

R.

“Escrever é tão intimo, tão pessoal, tão meu – que, vou culpar-me pelo resto de minha vida por tê-lo deixado presenciar isto. Mas o amor me perdoa. (...)”

"Não acostuma, só vou escrever desta vez."

- Vai publicar?
- Não sei.
- Tudo bem. Só quero ver como tu escreves.
- Para quê?
- Para poder sonhar que todas as tuas palavras são minhas.
- Justo. Já sei como tu desenhas.
- Mas tu nunca vistes...
- Nunca. E, ainda assim, sonho que todos os traços dos teus desenhos – tem a minha forma.



Se ao menos tu soubesses como é que meu coração fica quando recebe um sinal teu... Ah! Tu me davas uma chance! Uma única chance para lhe mostrar o que anda se passando dentro de mim. – Eu já não entendo bem o que acontece com meu corpo: arrepia, perde o fôlego, sente cócegas na barriga, sorri, suspira... Das vezes, entro em êxtase total, sumo de mim. Não me reconheço. E, só hoje, fui descobrir – que a culpa é tua.
Culpado, – porque me tratas com o carinho e a atenção que eu sempre sonhei. Culpado, – porque tu ficas acariciando meu cabelo e falando-me ao pé do ouvido o quanto gosta do meu perfume doce. Culpado, – porque tu passas as tuas mãos sobre a minha pele como se estivesse me desenhando. Culpado, – porque, ao teu lado, desconheço o frio, a fome, o cansaço e a sede. Culpado – porque, ao teu lado, sou Eu, – e não há mais ninguém dentro de mim. E o engraçado é que, Eu – só quero me tornar teu corpo quando ficas, assim, ao meu lado.
E então, ninguém mais entenderia as voltas que meu coração deu, até lhe encontrar. Pois quando meu coração lhe encontrou, de certa forma, – ele se descobriu. Dizem por aí que, todo amor preenche um pedaço de nossos corações. Sinto-me preenchida não somente por um pedaço, mas por todo ele. Por todo meu ser.
Sonhei, por anos, em me apaixonar por um médico, piloto, professor, poeta, músico... Mas, um desenhista? Não. Nunca. Não és nada do que eu sonhei. Tu não és o genro que minha mãe pediu à Deus, e definitivamente, meu pai não irá gostar de ti... Mas eu gostei.
Apaixonei-me, desde a primeira vez que olhei tua barba mal-feita, teu cabelo despenteado, tuas roupas engraçadas, tua tatuagem esquisita e teu sorriso de criança. Apaixonei-me, desde a primeira vez que me olhaste e desenhaste meu rosto. Tu te lembras? Tenho guardado o teu desenho.
Tenho guardado também o papel onde desenhaste nossa casa, nossos filhos, nosso cachorro e a árvore frutífera de pitangueira do quintal. Tenho guardado o teu nascer do sol, onde escreveste: “Aqui, – nasceu o teu sorriso”.
Tenho guardado num porta-retrato, o desenho dos meus olhos, que brilham a tua imagem. E tenho guardado, na memória, tuas palavras ao dar-me de presente: “Me dão medo... Teus olhos... Amedrontam-me”. E tu sorrias, depois dizias que, tu estavas me dando olhos novos num papel, porque nasci com grau altíssimo de miopia. (...)
E tu tinhas razão.
O dia em que desenhou meus olhos num papel e deste-me de presente, devolveu-me a visão. Pois foi neste exato momento que olhei em teus olhos e soube qual era a única coisa que eu poderia enxergar, a única coisa que eu não poderia viver sem ter visto, qual era a única coisa que todas as pessoas do mundo deveriam ver: – era o amor, é só o amor. E – para mim – como para mais ninguém, O [teu] amor.
Desenhista... Eu já lhe disse: sou escritora de palavras simples. Enquanto, teus desenhos, são ricos em detalhes. Posso viajar nos teus sonhos impressos de tinta, e tu podes descobrir meus segredos impressos em palavras. E será muito fácil para nós dois. Porque a felicidade é algo simples. É simples, fácil, possível, – ser feliz. E tenho em mim, todas as vezes que, olho os teus desenhos – que tu sabes bem do que eu falo. Falo de amor, nada mais.

E agora que já conheces o meu corpo, que já viste como eu escrevo, que já olhaste em meus olhos sem algum disfarce. Tu poderás descobrir o que eu sinto.

Acredita: o amor é fácil, a felicidade é simples, e eu estarei aqui amanhã. Porque agora, eu sei, aqui – ao teu lado, é o meu lugar. Já posso encostar a cabeça em teu ombro? Estou com sono. (...)

sábado, abril 02, 2011

Do quarto escuro.

Quem nunca trancou-se no quarto e colocou-se à chorar?

Mesmo que a mudança seja a lei da vida, eu nunca deixarei de ter certo receio em aceitá-las. Mas, por fim, como o óbvio, – eu as aceitarei. Porque não há como secar as lágrimas da perda, mas – “ao perdido”, muitas vezes, nada mais se pode fazer.

E quem sou eu para descrever as lágrimas?

Tu podes me entender:
“Não sei falar sobre a minha dor. A guardo, tranco, escondo-a. E quando falo sobre ela, pouco falo, – não digo tudo o que quero. Parece uma dor que nunca acaba, ou uma dor que eu nunca finalizo. Fico remoendo o passado. Dói-me. Mas não é sempre. Não sou triste todos os dias, muito menos por todas as horas. De repente, numa noite silenciosa, a dor me vem, – as lembranças me tomam; A angustia presa na inquietude muda de minh’alma parece criar voz... As lágrimas, então, correm por meu rosto. Na escuridão de meu quarto, na solidão de mim mesma. Ou, por vez, algo ruim acontece: uma briga, uma ofensa, um erro que eu mesma causei. Lamento-me, julgo-me, recrimino-me. A dor parece tomar forças e, novamente, ela transborda em lágrimas. O quarto, escuro e solitário, parece-me – outra vez – o único lugar tranqüilo e meu. O travesseiro torna-se amparo. E a saudade vem... Saudade de qualquer coisa boa que poderia tirar-me daquilo que, no momento, é o projeto do inferno de minha própria alma. E choro fielmente a mágoa. Julgo as pessoas só por minha dor.  Raiva, tristeza, sentimento corajoso de vingança e superação... Tudo sinto. – Até que minh'alma ache equilíbrio. Até que meu corpo sinta-se tranqüilo. Até que as lágrimas sequem. E depois paz. Paz como se apenas houvesse eu no mundo, nada mais existe, suspiro feliz a solidão. Como uma felicidade barata. – E isto tem nome: ser humano.”
Todo ser humano tem segredos. Cada um leva uma, ou várias, dores em seu coração. Uns sofrem menos, outros mais, – mas ninguém carrega mais peso do que pode carregar em suas costas. O único problema é que não nos vemos como seres humanos, uma única raça; Todos nós com os mesmos sentimentos – não importando o motivo por senti-los. Nos olhamos no espelho e nos achamos únicos. Então, em momentos de solidão e explosão, deixamos viver a dor e os segredos guardados: geram-se choro, raiva, precipitações.
Vivemos a singularidade. O singular. O eu. O que eu quero. O que eu sou. O que eu sinto. – E a vida, no entanto, é mais que isso. Há uma imensidão fora do nosso quarto escuro: Um mundo, um planeta, uma população inteira; E, todos iguais a você.
A parte estranha é que, por mais que todos nós tenhamos dores, não sabemos soltá-las, falá-las, admiti-las. Não permitimos a fragilidade que, é nossa e por direito. A fragilidade da alma e do corpo, que nasceu conosco, que faz parte de nós.
Queremos ser aquilo que produzimos: frios, fortes, resistentes, sempre se renovando, evoluindo, de um projeto inteligente, que da conta do recado, que não pode parar, que é máquina. Vivemos buscando o que  o mundo capitalista nos idealizou e, quando nos damos conta, deixamos para trás o que a nossa alma pediu e nos pede. Entramos no esquema, mas esquecemos de nós mesmos. Deixamos de lado o que realmente queremos.
E, por mais que, tudo isto nos traga felicidade. É "felicidade" que custa caro.
Culpamos a falta de tempo, os outros, o século. E esquecemos nosso fardo de culpa: a preguiça, a acomodação, a ilusão.
O real é aquilo que faz parte de nós, é aquilo que sentimos, – não é aquilo que nos falam. O real está aqui dentro. Quer prova maior do que sentir?

Sinta-se a vontade para descobrir o que realmente lhe importa. Enquanto é tempo. Porque o relógio na parede continua a girar os ponteiros, mesmo que as pilhas estejam fracas. E, quando você menos espera, você percebe que passou a vida inteira dentro do seu quarto escuro, preso na sua própria dor, culpando a vida, e deixando de viver o que a tua alma vos pede: A paz, o amor,  – o sorriso de cada dia.

Pior ainda que culpar, é não saber perdoar. É não abrir os braços para o mundo, abraçando o recomeço que nos é permitido a cada manhã. É não agradecer por aquilo que nos foi dado. É não transbordar a felicidade que existe dentro de você, e que pode ser maior que a dor do fardo teu.

Permita-se!
A vida é uma só.
O tempo passa...
E aquele que não a preenche, deixa a própria alma vazia e solitária, – como um quarto escuro.