quarta-feira, abril 20, 2011

Back in the summer.

Tu já foste presenteado com uma pedra falsa que brilha? Acho que eu já. E sinto falta desta pedra sem valor. (...)

Sinto falta das cores que foram arrancadas do arco-íris; Pois há alguns meses ele tinha cores tão lindas que meus olhos enchiam d’água de felicidade. Falta me faz o cheiro que a vida tinha; Era suave e havia um refrescar natural e único quando o ar entrava e saía pelos pulmões. Sinto-me triste todas as vezes que me pego a recordar o toque da música; A melodia era tão eficaz que a letra da canção entrava pelos ouvidos e se guardava intacta no coração. Ainda fecho os olhos em nostalgia todas as vezes que a imagem do passado me vem; Pois toda a pureza e a alegria parecem que me foram tiradas. (...) Ah! Bonita... Como era linda a época em que as flores mais lindas pertenciam aos meus olhos, – E não falo da primavera. O calor daqueles dias era algo como o verão.
Era assim que eu me sentia: apaixonada. E eu queria ter aproveitado cada minuto dos tempos felizes. Não que eu não seja mais feliz, mas a felicidade me era tão pura naqueles dias – que, ali sim eu pude almejar sonhos. E construí tantos! Sonhos e sonhos. Noite e dia, – eu sonhava... Sonhava tanto que o mundo estava em minhas mãos. Poderia até sacudir um pouco para agüentar-lhe o peso, mas o mundo era meu e meus braços podiam abraçá-lo. Abraçá-lo tão fortemente que eu esperava nunca deixá-lo ir... Porque era meu. Como um todo: o mundo me pertencia de tal forma que eu me sentia grande. Grande ao tamanho de Deus para agradecer todos os dias pela beleza daquela vida. Grande ao tamanho de Deus para sentir-me intima Dele e falar-Lhe que poderia dar conta do recado. Grande ao tamanho de Deus para sentir-me forte o suficiente quando, de repente, o mundo desabou. Caiu de minhas mãos; – Sem que meus braços pudessem puxá-lo novamente. Era isto: Deus mostrou-me que eu era pequena e que o mundo era tão grande que não poderia ter um dono.
Deus não é ruim. Deus só queria que eu aprendesse novamente aquilo que eu já sabia: O amor é puro e livre. O amor é lindo e sereno. O amor é tão bonito que qualquer coisa comparada à ele, torna-se apenas “qualquer coisa”. O amor é definitivamente... amor! Tão amor que eu não poderia enganá-lo. E nem conquistá-lo de qualquer forma ou à qualquer custo. Tão amor que ele não tem data, nem hora, nem significado. O amor é tão amor que, ele vem. Na hora certa, no dia certo, – com e pela pessoa que pode lhe amar.
E eu ainda não descobri se era realmente possível, mas eu inventei uma forma de amor. Amor daqueles lindos, sabe? Amor de novela. Drama mexicano mesmo! Com direito a “quase tapas e quase choros”, aqueles gritos e gemidos de raiva, e carinhas tristes de solidão e saudade... Eu tinha uma história linda de amor. Com o mundo em minhas mãos. E eu não sei em qual parte, ou em qual final – eu errei. Às vezes acho, com certa certeza que, o erro foi o início. Amor este que não me arrependo, mas que poderia ter passado a vida sem tê-lo. Amor que começou errado, terminou sem um fim.
O “fim” é qualquer palavrinha de três letras que junto à “saudade” torna-se um sentimento triste. Poetas são tristes. Eu talvez devesse abster-me das palavras para poder ser feliz. Ou compor uma música ao meu passado de forma tão verdadeira que ele voltará à mim como sempre foi. E seria lindo: O Recomeço. O recomeço seria algo tão belo que, descrevê-lo seria impossível.
Mas a canção deveria ser dignamente linda. Tão linda que pudesse descrever cada sentimento que guardei ao longo dos meses que se passaram desde aquele verão.
A canção iria ser tão longa, de melodia tão alternada, com tanta mistura que – o mundo se perderia ao ouvi-la. Mas ele saberia: A voz que a cantaria seria uma voz única. A voz do coração.
Eu pegaria partituras de cada música que embalou meu verão, e juntaria a minha composição. Ainda enfeitaria com milhares de palavras doces; E o final seria brilhante.
Coisa de filme!
Arabescos coloridos enfeitariam as pedras falsas que juntei ao longo do caminho. Ali, naquele momento, elas se tornariam reais.
O meu castelo seria construído em cima de algo móvel. Próprio ao movimento. Para que eu pudesse levá-lo junto ao futuro.
As estrelas brilhariam. Novamente.
O mundo voltaria a ser meu. Mas não meu. Agora, ele seria apenas digno do meu: O meu amor.
Amor aquele de verdade: Amor! Assim, pontuado na exclamação. Verdadeiro e, forte o suficiente para recomeçar das cinzas que a saudade deixou. (...)

* * *

O mundo tem nome.
Espero um dia poder escrevê-lo sem medo.
Escrevê-lo sem tê-lo de chamá-lo por "mundo, amado ou querido".
Sem pseudonomes.

O nome mais lindo habitaria minhas palavras.
O verão voltaria, devolvendo a felicidade eterna.