segunda-feira, abril 18, 2011

A dica.

Ontem, 02 de abril de 2011.

Estou sozinha de amor [es].

Eu precisava sucumbir o que minh’alma vazia tinha a me dizer. Como poderia sentir e não saber o que sinto? Sinto medo de seguir ou sinto falta do passado? Creio que as duas opções equivalem o mesmo resultado. Sento-me ao chão frio do banheiro. Converso com o vazio das lajotas brancas. Ninguém pode me ver, ninguém pode me ouvir. Sou só eu. Assim como sempre fui: eu, e mais ninguém. As palavras já não me satisfazem, o tempo já não me parece meu. Os dias passam rapidamente e eu sinto-me parada. Chega uma hora que a solidão nos cansa.
A solidão é minha. A solidão não lembra-me cores escuras. Ao contrário, ela faz-me lembrar o colorido. É quando estou em uma festa e olho as luzes se encontrando junto com a sonoridade da música que me atormenta os ouvidos e me excita a dançar. É quando posso sair sozinha pelas ruas sem dar satisfação a ninguém. É quando acendo meu cigarro olhando um céu estrelado de uma noite tranqüila. É quando compro-me um par de sapatos vermelhos e procuro no guarda-roupa o vestido velho que usei em uma festa de quinze anos. É quando dou risada em frente à televisão assistindo aquele filme de drama. É quando danço sozinha. É quando escolho meu par ao final da noite ou quando me escolhem. É quando não há um amor. É quando sou eu mesma. É quando há saudade... A solidão é linda, – e me assusta.
Cansei de estar sozinha ou acompanhada pela metade. Apetece-me mais que um amigo, ou alguém para aquecer-me o corpo. Apetece-me ter alguém para dividir os acontecimentos de minha vida: as derrotas e as conquistas. Apetece-me ter alguém para dividir meus sonhos, mesmo que em meus sonhos esta pessoa não possa estar. Apetece-me alguém que, eu possa fazer uma ligação de madrugada para contar meu pesadelo, pedir proteção, falar do meu dia, declarar meu amor... Apetece-me alguém com quem eu possa dividir minha xícara de café ou por à mesa duas xícaras toda manhã. Apetece-me alguém para receber recadinhos românticos inesperados durante o dia. Apetece-me alguém com quem eu possa conversar claramente sobre o que sinto e sobre o que quero. Apetece-me alguém para conquistar todos os dias e ser conquistada assim. Apetece-me alguém para ser leal e cúmplice. Apetece-me alguém para criar um laço de amizade. Apetece-me alguém para namorar. Apetece-me alguém para preencher de amor minh’alma que perambula por respostas onda não há perguntas. Apetece-me alguém para dividir minha vida e completar minha solidão.

* * *

Hoje, 03 de abril de 2011.

É quando fecha-se os olhos que não podemos enxergar. É quando não enxergamos que mal sabemos ouvir. É quando mal sabemos ouvir que sabemos falar. Porque falar é algo nosso, é de nossa alma. Falar é pedir. E pedimos demais.
Cansei-me da solidão com os olhos fechados. Resolvi abri-los. Surpreendi-me com o óbvio: O amor é tão simples que, ele sempre esteve ali. A única coisa que faltava era: olhar para os lados... Achei-o.

* * *

A vida não para nem por um segundo, –  nem enquanto tu dormes.
As coisas acontecem.

Abra os olhos!