quarta-feira, maio 25, 2011

I no longer feel, but...

Tenho minutos de esquecimentos eternos. De repente, tenho alguma certeza de que tu não fazes mais parte de mim. A memória parece cooperar. Está tudo bem. Eu não lhe amo mais. Não sinto a tua falta. E não lhe quero de volta.
Mas, e é bem este “mas” que me quebra ao meio. O “mas”. Tem sempre um mas, um embora, um no entanto, um porque; e um maldito “talvez”. Mas este “mas”, sempre termina com as minhas certezas. Ele é quase tão poderoso quanto o ponto final; só que ele é mais perverso.
Mas embora não sinta a tua falta; e já não lhe ame durante as 25 horas de meu dia. Mas embora eu não tenha vontade de lhe ouvir a voz; e mal possa recordar o timbre. Mas embora eu esteja euforicamente feliz, disfarçadamente desapaixonada, intragavelmente despreocupada com a vida... Eu não lhe esqueço. Mas eu não lhe deixo sair de dentro de mim. Mas eu, eu ainda estou aqui com uma enorme esperança da tua volta, o teu retorno, de encontrar-te hoje ou amanhã e permanecer ao teu lado num qualquer minutinho que me conceda. Mas eu falo não e não; mas ainda te amo.
E te amo devorando cada parte que meu corpo ainda guarda inteiro e não em pedaços. E te amo definitivamente e decididamente a me entregar mais uma e outra vez e quantas vezes for preciso. E te amo como se nada no mundo importasse mais que este amor; que já parece doentio, mas que é lindo. Mas. De novo.
É lindo! Completamente e indiscutivelmente lindo. Tão lindo quanto um poema ou uma música. Tão lindo e tão lindo que podem não acreditar. Porque este amor está dentro de mim; e brota e cresce mais a cada instante. E se renova, e se concretiza, e se quebra, e termina, e recomeça e vive inteiro e forte. Ele é lindo. Lindo porque só quer lhe ver sorrir, porque é colorido e me dá vontade de viver, porque me faz acreditar em momentos melhores, porque não acaba, não tem fim, não termina; e é meu como é teu. Mas. Ainda é mais teu, e só teu; e só por ti.
Lindo porque meu coração pulsa só de escrever deste amor que guardo. Que tornou-se platônico. Que conversa com as paredes. Que dissolve em lágrimas de saudade. Que voa no tempo que passa, que passa.... O tempo que passa e já passou tanto, não é? E encontro-me aqui, nesse “mas”. O tempo passou, mas...
Mas será que um dia vai me olhar de novo? E se neste dia meu olhar não encontrar o teu? Se esta paz que me dá medo tomar-me por inteiro e levar este amor lindo... Mas se alguém pisar no meu caminho? Se eu sentir vontade de ir embora? E se estas palavras talvez não sejam mais para você...
Se a certeza do amor acabar e for tarde; e o maldito talvez lhe assombre também. Se eu não souber voltar mesmo que ainda lhe ame; e porque tenho todos os motivos. Não te esqueças. Fui tua para sempre, e tu deixaste que eu partisse.
Agora, sem “mas”. Acabou.

G.B.I.

* * *

Cita-se:

"Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente."
(Caio Fernando Abreu, O Estado de São Paulo, 06/08/95)

2 comentários:

  1. Que coisa linda, sempre achei e desconfiei que não era tu de verdade. Mentirosa!!

    "O Gerente"

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