domingo, julho 31, 2011

M.

Por este meu sentimento.

ALL MY LOVING
The Beatles, 1963.
Composição: Lennon e McCartney.

Close your eyes and I'll kiss you.
Tomorrow I'll miss you.
Remember: I'll always be true.
And then while I'm away.
I'll write home everyday,
And I'll send all my loving to you.

I'll pretend that I'm kissing,
The lips I am missing.
And hope that my dreams will come true...

And then while I'm away,
I'll write home everyday.
And I'll send all my loving to you.

All my loving I will send to you.
All my loving, darling, I'll be true.




Anota: Tomorrow I'll miss you.

ONE DAY.

Cada parte do meu corpo é teu como sempre foi. E é fácil sentir-me assim estando ao teu lado, sentindo teu cheiro, provando teu gosto, vivendo a tua forma, tua física e química. – Eu não quero saber se amanhã nada disso fará sentido. – Eu só quero aproveitar este sentimento tranqüilo que deixou em mim hoje. Este teu olhar de esperança, de moleque travesso, de criança tímida. Esta tua vinda sem aviso, este quarto bagunçado, este banco de trás do carro e os vidros embaçados. Quero deitar a cabeça em teu colo, falar bobeiras, rir das minhas próprias piadas. Quero receber o teu carinho e poder devolvê-lo por puro afeto. Quero escutar as tuas músicas e deixar me levar por este ritmo estranho enquanto lhe beijo e lhe tenho dentro de mim. Quero sentir que a vida ainda é bela e será sempre assim, desde que eu acredite.
Amanhã, – tu te vais embora... E eu vou esquecer-lhe o nome outra vez. Vou seguir a minha vida, fazer meus planos, correr atrás dos meus sonhos e continuar insistindo mesmo que tudo dê errado. Amanhã, – tu te encontras com ela, abraça-a, dá o teu amor que agora é dela, e vive a vida por aí, faz a vida por aí, enche-te de vida por aí...
Pois não importa. Não me importa o que vem. O amanhã ainda não existe. Só quero me esbaldar no que eu sinto agora e, nesta hora, neste momento, nesta vontade efêmera de lhe ter aqui ao meu lado durante o “sempre”. Agora!
Eu lhe quero agora!
Vou lhe implorar mais um dia. Pedir para que tu fiques, para que tu voltes, para que tu não me esqueças e nem a traga contigo numa próxima vez. Mas só vou pedir isto. Vou evitar contato, vou manter-me em silêncio, vou fingir que nunca fizestes parte da minha vida e acreditar que assim será melhor. Pois será melhor. Porque não é amor. Não. Não é amor.
É saudade. É busca. É união. É parceria. É afeto. É amizade. São duas crianças brincando de viver, brincando de amar, brincando de poderia ser. Poderia ser amor, mas não é. É passado que ainda se vive. São vontades que a gente manda pra fora. São sentimentos que se exteriorizam no desejo das nossas peles. É aquele beijo acompanhado de abraço carinhoso. É uma forma nossa de ser.
De ser sonho. E de assim poder me deixar sonhar, só por hoje, que eu irei lhe encontrar outro dia, irei viver mais perto, irei lhe ter de volta, irei construir minha vida e, então sim, poder ser amor.
E poder transbordar este amor como se ele tivesse sido premeditado por vontades supremas. Como se ele fosse acontecer, aqui, ali, hoje ou amanhã; Fosse existir apenas. Estivesse escrito. Era pra ser.
Pois serás sempre o cara de vinte e dois anos, que eu conheci, me encantei e disse: “Quem sabe, talvez, poderia... seja ele”. – Tomara.
É claro que não sou a mesma pessoa de anos atrás. É claro que tu também mudaste. É claro que não é o mesmo sentimento. Mas, é claro, eu estarei sempre disposta à inventar novas formas de amor com você. – Meu beija-flor, tu já podes voar.

Que cada minuto da tua vida seja tão belo quanto o sorriso que tu deixaste em mim.

I just wanted one more day with you.
Can not, – see you soon.

terça-feira, julho 19, 2011

E.

TODO O SENTIMENTO
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e C. Bastos.

Preciso não dormir,
Até se consumar.
O tempo da gente.
Preciso conduzir,
Um tempo de te amar.
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir,
No último momento.
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento.
E bota no corpo uma outra vez...

Prometo te querer,
Até o amor cair.
Doente, doente...
Prefiro, então, partir.
A tempo de poder,
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza.
Talvez num tempo da delicadeza.
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei,
Como encantado ao lado teu.

Caneta em mãos.

A comida daqui lembra-me a de um hospital. As cores das paredes lembram-me o inferno. O cheiro desse lugar lembra-me amor.

Sexo é a coisa mais natural que existe. Vivemos nesse “não me toque”, porque nossos pais queriam nos proteger do grande erro da vida deles: ser pais. Ser pai e mãe cedo demais é um erro maior do que não escapar disto. A responsabilidade de outro ser em tuas mãos é quase fatal. É como ter a receita do bolo, fazer o bolo, e queimá-lo no final. Ninguém quer criar errado um filho. Ninguém quer colocar outra pessoa no mundo que vá sofrer, ou que faça sofrer. Ninguém quer errar. Ninguém quer ser humano. Todos querem ser Deus.
Sexo é bonito. A sacanagem que rola por aí é que feia. Sacanagem antigamente era arte, e ainda é para aqueles que sabem ver. Mas, hoje, é fruto de piadas. Somos todos moleques na puberdade que acham graça, têm medo, e fazem piada sobre sexo. Parecemos virgens. – Não temos mais olhos de beleza. Não queremos mais amor.
Mas isto é a maioria, e eu quero falar de nós. Eu quero amor. Eu sinto olhando em teus olhos que tu queres também. Eu quero tanto amor que estou neste projeto de purgatório por ti. Quando lhe conheci, achei que tu não fosses aquele que deixa as cuecas jogadas pelo chão do quarto. Mas és. Aqui, sentada em tua cama, enxergo os fatos.
Eu já posso dizer que lhe amo. Meu coração não se prende mais ao que amava. As dores foram curadas, as feridas viraram cicatrizes. E o meu amor é teu.
Cubra-me de amor todos os dias e não me deixe enjoar dos teus olhos. Fala-me das canções erradas e deixe-me cantá-las mesmo assim. O amor é isto: aceitar.
É uma troca de carinhos, são pernas sobre pernas, é suor, é doçura, é beleza. O amor é – a minha memória que lhe trás todos os dias.
A lealdade do amor é mais forte que a traição do desejo. Deixe-me quieta, respeite-me, e não me importarei com o resto. Não me humilhe. Não me deixe saber. E eu nunca lhe cobrarei fidelidade.
Eu devo lhe amar não pela falta que me faz, mas pela presença que me completa. Devo lhe amar não pelo tom da voz, mas pelos ouvidos que não se calam. Devo lhe amar não pelo sol que o teu sorriso abre, mas por abrir o mesmo em mim.
Há muito tempo que fiz os cálculos errados. Que achei que a dor fosse sinônimo do amor. E que os obstáculos eram bonitos.
Bonita é a entrega. É a maneira com que me olhas, com que toca a minha pele, com que fala o meu nome, com que sussurra segredos em meu ouvido. – Bonito é estar toda boba, aqui, escrevendo sobre a tua forma.
Quanto amor! Quanta doçura! Quanto tesão! Quanta vida! Ah! Vida! Vida! Vida! – Amor...
Tu também sentias falta de amar? Pois bem. Acho que eu sentia esta falta e mal fazia idéia disto. Acho que me perdi por anos, até poder lhe encontrar. Acho que eu fui caule, e agora sou raiz.
Após um tempo se descobre, que se vive a vida inteira sonhando. Lutamos, trabalhamos, nos enchemos de lúxuria. E, no final, só queríamos amor.
Faça este amor em mim. Faça eu pedir a morte, porque vivi o que todos deveriam viver. Faça-me amar até perder a vida, mas sem perder o encanto.
Pois se for para lembrar de algo, quero lembrar do teu nome.

Addic'tion.

A verdade é que nós não podemos deixar que nada em nossa vida se torne um vício. “Vício” já é uma palavra assustadora; Retire a letra “o” e acrescente as letras “ado”, e então você terá o medo em suas mãos. Pense: “eu sou viciado em televisão, eu sou viciado em leitura, eu sou viciado em cigarro, eu sou viciado em pizza, eu sou viciado em jogos, eu sou viciado em refrigerante, eu sou viciado em álcool, eu sou viciado em sexo”, – horrível, não é mesmo? A palavra “viciado” lhe tira poderes. Quer dizer que o vício manda em você? Qualquer coisa torna-se maior que o poder da sua mente. Você é escravo daquilo que deveria ser apenas um gosto, um hobby, ou uma mania. Você não é mais você, você é aquilo que o vício lhe torna.
É quase uma rotina, vive-se aquilo todos os dias. Mas não misturemos o pato com a galinha. O “vício” e a “rotina” são palavras com significados diferentes: Rotina, é aquilo que aos poucos se acomoda em sua vida. Vício, é aquilo que você não pode viver sem. – Um vício pode ser uma rotina, uma rotina não pode ser um vício.
Todo ser humano tem um vício que, Por si só, já algo ruim. Pois imagine ter vários vícios dentro de você.
Até que ponto aquilo é mais forte que você? Até que ponto seu corpo vai agüentar este vício? – Eu não falo das tuas besteiras. Não é a moda que todos usam. Não é aquilo que as pessoas acham bonito dizer que não vivem sem. Eu falo do “vício” real. Da obsessão, da dor sentida, da psicose. De ser viciado.
Aquilo que dói quando falta. Que fere na ausência. Que faz seu corpo ferver de vontade. – Que os olhos não seguram. Que o nariz sente o cheiro. Que a boca pede. – Eu falo da doença.
O vício é uma doença. A doença é um vício.
O ser humano pede dor. Ele não se controla. Ele quer se tornar o que o mundo quer vender. – Você pode ser o rei, mas terá que enfrentar as enfermidades. – A solidão é a conseqüência.
Um vício não é só você quem sente. As pessoas ao seu lado, sentem também. Elas se incomodam, elas tentam lhe ajudar, elas se decepcionam, elas deixam você. – Tome cuidado.

Tudo que tende para o extremo, tende para a queda.
Controle-se.

No one can be alone, without feeling pain.

segunda-feira, julho 11, 2011

E.

AS ROSAS NÃO FALAM
Composição: Cartola.
(1976)

Bate outra vez.
Com esperanças o meu coração.
Pois já vai terminando o verão,
Enfim.

Volto ao jardim,
Com a certeza que devo chorar.
Pois bem sei que não queres voltar,
Para mim.

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem!
As rosas não falam.
Simplesmente as rosas exalam,
O perfume que roubam de ti. Ai!

Devias vir...
Para ver os meus olhos tristonhos.
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos.
Por fim.

Que fosse amor.

Escrito em
21 de Janeiro de 2011.



Não sei ao certo o que me leva à esta indecisão. Eu devo estar naquela etapa do caminho em que depois de cair em muitos buracos, sofro algum certo medo de continuar andando. Só não consigo me sentir parada. – Então, às vezes, penso que isto é fruto do meu esquecimento. É nessas horas que não lhe quero mais.

Lhe amo. Tenho certeza disso todas as vezes que olho em teus olhos.  – Não sei o que acontece... Acredito neste amor. Mas me é dilacerante ter estas paranóias dentro de mim. Sinto-me para baixo. Eu não lhe amo mais com a felicidade de meu corpo, eu lhe amo com a tristeza. A dor, a raiva, o ódio e a mágoa, agora lhe querem. E eu não consigo mentir. Estar ao teu lado faz meu coração viver. Mas já não é a vida que ele sentia antes... O medo prende-o. Não o deixa bater desesperadamente, quase perdendo o ar, – como um dia já ousou bater.
Agora são apenas batidas. Como as batidas do relógio: leves e em sincronia. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. – “Menina, eu lhe amo”. Tac. Tac. Ta-tac. Ta-ta-tac. Tac. Tic. – Eu também.
Eu sei que qualquer dia desses, tu irás me deixar. É doloroso. E inútil que eu tente prendê-lo. – É sufocante saber que eu irei perder aquilo que nunca foi meu. – Tu sabes com o que eu sonhei por todas as noites? Sonhei em lhe amar. Em lhe dar as mãos, trocar denguinhos, beijinhos, carinhos e dizer para o mundo: – Sim, é ele que me faz feliz.
Pois não posso. Eu não passo de qualquer coisa para ti. Eu sinto-me um objeto que às vezes atrapalha a tua vida. E dói-me saber que sou um fardo para aquilo que mais amo. – Eu sei que há algumas confusões presas em teu coração. E, aos poucos, eu descobri que eu não queria saber como elas são e nem por quem são, ou como são. Eu descobri que todo o seu mistério me assusta e me faz mal. Que todas as surpresas me deixam sem voz e que gritar não parece a solução. Eu compreendi que eu sou apenas mais uma em tua vida. Que todas as noites tu ligas para a outra. E que se não ligares, pensarás nela. – Entendi que é o mesmo teatro: uma música, palavras bonitas, sexo, eu te amo, e só se trocam os nomes. Tudo igual. Com todas que tu precisas conquistar.
No começo, eu achei que eu pudesse lidar com isto. Achava-me mais forte e descobri a minha fraqueza. Tu não passavas de qualquer menino que eu fingiria gostar de estar ao lado. As falcatruas não me importavam. Eu não queria saber de ti. – Tu eras apenas mais um.
Mas em alguma encruzilhada, eu tomei a estrada errada. Apaixonei-me. Despi-me de todo o medo e entreguei-me como se tu fosses o único que eu pudesse amar. E lhe amei.
Perdoa.
Eu queria que fosse verdadeiro.

I promise to look at the stars every night. While I'm alive. Every day of my life.

* * *

Cita-se:

“Se nunca nos vermos de novo, e você estiver por aí andando e sentir uma certa presença do seu lado. Isso vai ser eu, te amando, onde quer que eu esteja”. 
(My Sassy Girl)