terça-feira, julho 19, 2011

Caneta em mãos.

A comida daqui lembra-me a de um hospital. As cores das paredes lembram-me o inferno. O cheiro desse lugar lembra-me amor.

Sexo é a coisa mais natural que existe. Vivemos nesse “não me toque”, porque nossos pais queriam nos proteger do grande erro da vida deles: ser pais. Ser pai e mãe cedo demais é um erro maior do que não escapar disto. A responsabilidade de outro ser em tuas mãos é quase fatal. É como ter a receita do bolo, fazer o bolo, e queimá-lo no final. Ninguém quer criar errado um filho. Ninguém quer colocar outra pessoa no mundo que vá sofrer, ou que faça sofrer. Ninguém quer errar. Ninguém quer ser humano. Todos querem ser Deus.
Sexo é bonito. A sacanagem que rola por aí é que feia. Sacanagem antigamente era arte, e ainda é para aqueles que sabem ver. Mas, hoje, é fruto de piadas. Somos todos moleques na puberdade que acham graça, têm medo, e fazem piada sobre sexo. Parecemos virgens. – Não temos mais olhos de beleza. Não queremos mais amor.
Mas isto é a maioria, e eu quero falar de nós. Eu quero amor. Eu sinto olhando em teus olhos que tu queres também. Eu quero tanto amor que estou neste projeto de purgatório por ti. Quando lhe conheci, achei que tu não fosses aquele que deixa as cuecas jogadas pelo chão do quarto. Mas és. Aqui, sentada em tua cama, enxergo os fatos.
Eu já posso dizer que lhe amo. Meu coração não se prende mais ao que amava. As dores foram curadas, as feridas viraram cicatrizes. E o meu amor é teu.
Cubra-me de amor todos os dias e não me deixe enjoar dos teus olhos. Fala-me das canções erradas e deixe-me cantá-las mesmo assim. O amor é isto: aceitar.
É uma troca de carinhos, são pernas sobre pernas, é suor, é doçura, é beleza. O amor é – a minha memória que lhe trás todos os dias.
A lealdade do amor é mais forte que a traição do desejo. Deixe-me quieta, respeite-me, e não me importarei com o resto. Não me humilhe. Não me deixe saber. E eu nunca lhe cobrarei fidelidade.
Eu devo lhe amar não pela falta que me faz, mas pela presença que me completa. Devo lhe amar não pelo tom da voz, mas pelos ouvidos que não se calam. Devo lhe amar não pelo sol que o teu sorriso abre, mas por abrir o mesmo em mim.
Há muito tempo que fiz os cálculos errados. Que achei que a dor fosse sinônimo do amor. E que os obstáculos eram bonitos.
Bonita é a entrega. É a maneira com que me olhas, com que toca a minha pele, com que fala o meu nome, com que sussurra segredos em meu ouvido. – Bonito é estar toda boba, aqui, escrevendo sobre a tua forma.
Quanto amor! Quanta doçura! Quanto tesão! Quanta vida! Ah! Vida! Vida! Vida! – Amor...
Tu também sentias falta de amar? Pois bem. Acho que eu sentia esta falta e mal fazia idéia disto. Acho que me perdi por anos, até poder lhe encontrar. Acho que eu fui caule, e agora sou raiz.
Após um tempo se descobre, que se vive a vida inteira sonhando. Lutamos, trabalhamos, nos enchemos de lúxuria. E, no final, só queríamos amor.
Faça este amor em mim. Faça eu pedir a morte, porque vivi o que todos deveriam viver. Faça-me amar até perder a vida, mas sem perder o encanto.
Pois se for para lembrar de algo, quero lembrar do teu nome.