sexta-feira, setembro 02, 2011

QUAL O SEU DESTINO?

Lá fora apenas o barulho do vento e o latir dos cães. Aqui dentro, luzes acesas e coração sereno. Acho que estou sonhando. – Pensei que esta noite seria cheia de tormentos que me fariam escrever coisas lindas. Não deu. Nada de saudades. – Estou só e imersa em calmarias. 
Alma calma é problema para quem escreve. – De certo, este é o motivo para o errado sempre me atrair. – A dor que consome é a dor que possui as palavras mais doces. Já o vazio, bem, o vazio me trás palavras sombrias, histórias estranhas, algumas fantasias e nenhum suspiro. – Ah! Como eu sinto falta de suspirar...
Suspirava todas as vezes que ele me cegara os olhos com suas mãos macias, e me fazia a pergunta tola: “adivinha quem é?”. Ora! Quem era? Era ele, senão ele, nenhum outro. Assim suspirava o coração e atritava todas as artérias... – cardíaca; eu era um ataque em todo beijo que ele me surpreendera. 
Suspirava também. Não! Eu perdera o fôlego todas as vezes que abriam-se as pernas e deleitava-me com seu corpo quente. Quando jogava-me contra a parede como se fosse me demolir. Ou quando falava-me ao ouvido que me queria e demonstrava sentir prazer com meus carinhos. 
Suspirava quando desenhava meu corpo com as mãos. Ah! Como eu adorava aquelas mãos percorrendo meu corpo e como me acalmava quando delicadamente parava a mão em minha cintura e cantava coisas lindas... 
Suspirava quando escutava sua respiração ofegante... Amava aquela respiração. Amava aquele jeito. Amava aquela voz. Amava aqueles olhos furiosos e brincalhões. Amava de tal forma que, às vezes, sei que nunca amarei outro igual. 
Poderei até amar mais, mas nunca como o amei. Não há como ser duas vezes a mesma tempestade em meu corpo. Não há como existir outra pessoa que provocará o pós-tempestade, com ou sem estragos, alguma magia e coração sem voz. 
"Pois tenho até medo de ler os parágrafos anteriores e sentir a pontinha dos dedos dos pés revirarem pelo desejo". Porque já não é saudade, é não ter mais, é não ser do mesmo jeito. É não me doar por inteiro como um dia já foi... É talvez perder o encanto. É amá-lo ainda, mas dar este amor para outros. Entende? Não. Não entende, porque é tudo invenção. 
Porque eu não posso mais dizer o que sinto. Porque agora sou apenas esta casa vazia e este tapete no chão. Eu sou o objeto esquecido no canto da sala. Eu tenho medo de continuar e não faço idéia de como se começa isto. Como seguir em frente? Como deixar pra lá? Eu juro que estou tentando. Juro que me orgulho de mim mesma, porque não fui aquela amiga que chorou o abandono do ex-namorado. Porque eu me preparei para a pior dor da minha vida, achei que fosse corroer por dentro, que fosse me matar. E realmente doeu, eu realmente morri, mas ressuscitei sei lá quantas vezes. E não fiquei chorando, resmungando, tratando o destino como se Ele fosse culpado pelo erro de quem amei. – Não. – Não fiz nada disso. Eu fui boa pessoa e continuei andando, só por andar, só por saber que eu teria um caminho longo pela frente. E mesmo sem saber qual era, mesmo sem ter feito alguma escolha, mesmo morrendo de medo que as pessoas me tratassem como apenas mais uma adolescente rebelde. Eu agi por mim. Eu fui aquilo que sou. Eu me tornei eu mesma. Sabe, eu não sou aquela jovem revoltada, porque quando os jovens se revoltam, eles precisam achar um motivo e precisam impressionar alguém. Eu não. Eu sou assim: – eu sou esse nada aqui mesmo. E mesmo que eu saiba que não devo me contentar com isto, – eu estou muito feliz, obrigada, por estar assim como estou. 
Porque eu não quero mais fazer parte do politicamente correto e nem dos outsiders marrentos. Eu quero ser eu. Só. Sem mais e sem amor. Não. Com amor. Com muito amor. Mas não amor por ele... Eu quero amor por mim, e por tudo que faço. Porque eu não fiz minha escolha ainda, mas eu sei que quando eu me decidir, seja lá o que for que eu decidir, eu vou fazer bem. Porque eu tenho fé em mim. 
E porque eu não tenho plano nenhum, mas eu sei o que eu quero: – viver. Eu vou viver. Forget the rules, I did my rules. Now it's me. 

E se algum dia ele puder fazer parte do meu viver, se algum dia ele puder enxergar a vida como eu a vejo, se algum dia for pra ser. Meu Deus! Eu volto a suspirar, volto a amar, volto a ser feliz e serei tão feliz que, que eu gritarei sinos de alegria. 

 Talvez, o meu destino seja amar [lo].

2 comentários:

  1. amar é o destino de todos, a gente que escolhe se vai sofrer ou não, a gente que escolhe o que fazer com este amor...

    ResponderExcluir
  2. ‎"...E ninguém dirá que é tarde demais... o nosso amor agente é que sabe..."

    ResponderExcluir