terça-feira, outubro 04, 2011

E.



Terás que acolhê-la durante o medo e a fúria. Tu terás que segurar a barra até quando o erro for teu. Pois ela é frágil, moço. Ela é uma menina assustada que já chorou desconsolos, que já teve coração partido e que faz casca-dura mas tá ali desabando por dentro... Vais precisar de calma e persistência. Vais ter que cuidar de cada ferida como se fosse tua, e acredite, são tuas. Trate-a com carinho e, por favor, não desista dela. Não a deixe tristonha e só, outra vez.
Ela aprendeu a caminhar sozinha, mas segurou tuas mãos numa segunda chance. Segundas-chances são raras, moço. Cuidado com os “separadores de mãos”, pois tu sabes que eles são teus próprios demônios.
Moço, não a deixe sofrer outra vez. Mas conte com o teu desconsolo por algum tempo. Terás que abrir pétala por pétala ou não encontrará coração algum. É um caminho longo... Eu já não sei se tu darás conta. Não sei mais se confio em ti, moço. Fui eu que lhe escrevi e, agora, sou eu que não sei mais teus destinos. Não posso mais te dar conselhos, porque me apaixonei pela menina. Descobri que ela é linda, moço. Descobri que ela possui muitas histórias, muitas palavras, e tem vontade dentro dela de viver a vida por aí.
Às vezes fecho os olhos e enxergo-a indo embora. Algumas dessas eu lhe vejo indo atrás, mas em muitas tu ficas parado. Moço, se ficares parado, vou lhe escrever chorando. Vou fazer teu destino triste, vou me concentrar na doce bela e deixá-la feliz como nunca. Vou fazer teu inferno, mas quem abrirá a porta dele será tuas mãos ásperas de erros, moço. Não a deixe ir, não fique preso dentro de ti, coloque fora o que brilha dentro do teu peito. Arrisque-se. – Quem não quiser sofrer que se isole. Mas a solidão é mesmo livre de dores?
– Pitadas de sal.
– Pitadas de açúcar.
O amor é uma mistura. Cuide para que ele não se torne uma indigestão. – “Que tal a cobertura de chocolate?”. – O felizes para sempre é só nos contos, vem aí muita discórdia. Quanta discórdia!

(A.M.D.M.)