quarta-feira, outubro 26, 2011

O LIVRO PELA METADE

– Preciso reorganizar essa vida.
– Mas há ordem nessa vida?

Aos passos, primeiro quero concretizar o que há de verdadeiro. Aquilo que, não se concretiza, não tem porque fazer parte dessa vida. Pós isso, quero repor pensamentos. Ando por demais jogada aos vazios e, mesmo que pense, pareço não pensar. Depois de pensar é preciso agir. Não tomo mais decisões, não corro mais atrás, não quero saber, não saio do lugar. Vou precisar dar alguns passos, e aos poucos passos, vou andar algum caminho.


Ainda ontem, quando cheguei à metade do livro, parei de lê-lo. Aquele livro dividido era a minha vida. E talvez um livro dividido possa significar várias vidas.
Primeiro, pensei nesse coração que não sabe mais pelo que bate. Dividido ao meio, às vezes, dividido em vários e pequenos pedaços. Não sabe se começa o próximo capítulo, ou se fecha o livro ali mesmo. Anda com medo de sentir saudades dos capítulos anteriores e de, ao avançar, não querer mais ler o próximo capítulo. Não sabe se virar as páginas é boa escolha e não faz idéia se poderá trocar de livro. – Será que é mesmo tão fácil quanto metáfora? – Ler o próximo capítulo. Trocar de livro. – Deixar de amá-lo, amar quem parece vir. Ou não amar nenhum e começar nova história.
Segundo, pensei na vida que fica e na próxima que vem. Pensei nos sonhos que deixei e nos que terei. Pensei na família que fica e nas pessoas que virão. Pensei no medo em deixar a metade que já foi, e ler o resto que eu não sei o que é. Pensei nos parágrafos ruins que virão, nas felicidades fáceis de algumas palavras, na saudade que será descrita em muitas páginas... Quero fechá-lo, pensei.
Não quero mais este livro. Quero outro livro. Sei lá! Um livro em páginas brancas, sem palavras, daí eu escrevo como bem quero eu... Bom se a vida fosse assim. Bom, se, a, vida, fosse, assim: A gente que a escreve, sem esquecer nada, e elimina as tristezas.
Terceiro, pensei na vida das outras pessoas. Como livros pela metade. Percebi que cada dia de nossas vidas são como livros ao meio. Tu tens a chance de deixar o passado, e continuar um novo capítulo. Podes virar as páginas. E, além disso, tu podes trocar de livro. Fazer nova história. Mudar de vida. É como abandonar as roupas velhas e trocar de cidade. É como mudar de nome. Ou, como mudar de amor. Temos a chance de escolher todos os dias. – Mas não é humano quem escolhe com certeza deixar o capítulo que passou.
Poetas talvez vivam esse impasse de saber e não saber ao mesmo tempo. Eu, que não sou poeta, vivo este livro dividido. Esse coração que busca coisas verdadeiras e palavras novas. Essas lágrimas que cansaram de cair. Essa vida que deixou de trazer. Essa esperança que, o próximo capítulo, vai me fazer sorrir. E essa saudade que fica, que em noites atormenta, que em dia se acalma, e que o coração guarda. Porque o coração é: – os capítulos que nós já lemos...
A única diferença que há entre o livro pela metade e a vida, é que, a gente pode voltar algumas folhas do livro, e da vida não. – Se a vida lhe possibilita a escolha de ler o próximo capítulo ou trocar de livro. Reorganize os pensamentos. A ordem agora aqui é – [re] organizar.
Coração tranqüilo, alma limpa, e braços abertos para o que vier.

Letitbe.

Um comentário:

  1. Não sei o que dizer. Temos a mesma opinião sobre esse assunto.

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