terça-feira, outubro 11, 2011

– O MEU AMOR.

“Desejou ser forte e mentiu não chorar por aí. A menina disse ao mundo que as fadas não existiam mais, mas todas as noites os fantasmas lhe tiravam o sono. Por dentro era cheia de dúvidas, dores e confusões. Sonhara com solidão, mas não a suportara por muito tempo. Tinha almejo de tranqüilidade, mas seu corpo pedira exageros. A menina tinha sonhos, embora não soubesse quais eram.
A mão que acariciava o rosto do rapaz trazia traços aos sonhos que perfeitamente reproduziam a face do amado. Quando à noite tinha a companhia dele, era fácil dormir. Mas todas as noites traziam-lhe pesadelos e a escuridão parecia falar com a menina: “Você está só, você está só, você está sozinha.”.”


Tenho medo de escrever na terceira pessoa. Tudo o que “ela” escreve é aquilo que me assusta. – Mas há algo que não anda me assustando mais: – o amor. É que ganhei da vida algo que eu nunca poderia sonhar, são momentos doces, são sorrisos raros, são janelas abertas e corpos deitados na cama. Estou contrariando tudo o que as pessoas me falaram sobre o amor. Estou contrariando o que as pessoas falaram sobre Deus e sobre as regras que os homens nos arranjam. Eu joguei os dadinhos na mesa e recebi dois seis. Foi meu mês de sorte.
Eu o olhara bebendo no bar e fingira prestar atenção no que minha colega contara. Não sei bem quais conselhos disse à ela, mas espero que ela não os tenha seguido. – Meus olhos estavam presos no anjo que descia álcool pela garganta. – Cabelos pretos, olhos que fixavam o horizonte, pele branca, sorriso de lado e mãos que gesticulavam a música – embora naquele momento só segurassem um copo.
Livrei-me da amiga e pus-me a pensar no que chamaria a atenção daquele cara estranho sentado no balcão do bar. Não pensei muito. Coloquei-me ao lado, chamei o barman e disse: “ – O mesmo que o dele.”. Um homem que nunca havia me visto logo teria pensado que “quero o mesmo que o dele”, significara “quero sexo”. Mas ele apenas sorriu, me olhou e perguntou: “ – Cansou de me olhar?”. Fiquei vermelha, sorri e disse que meus olhos estavam atentos ao copo.
Esta foi a primeira conversa de muitas. De conversas que se tornaram aquilo que se torna conversas em bar: – amor. – É. Eu sei! Estranho. Mas foi amor desde o primeiro momento e até o fim de nossas vidas.
Porque, quando ele me olha, traz nos olhos todas as flores do caminho. Minha boca fica entreaberta, estou com cara de boba e é fácil notar que estamos apaixonados. Porque ele beija minha testa, segura minha mão, sorri dos meus gracejos, discorda quando estou errada, paralisa meus movimentos e me tira o fôlego.
Ele faz meu coração bater fraco de saudades quando desaparece em sua moto e minhas veias ardem quando escuto-o voltando, buzinando lá da esquina, anunciando: “Meu amor, minha menina, eu cá estou para lhe amar.”. Porque nós já perdemos a noção do ridículo, esquecemos todas as realidades e sonhamos que a vida vai nos guardar para sempre. Seremos eternos, morreremos juntos, nossos caixões serão enterrados lado a lado e na lápide estará escrito um nome que resume os nossos: amor.
Porque nós dois somos o amor. O amor lindo e sereno que faz dos meus dias os mais incríveis, como a mágica do algodão doce ou o sorriso do palhaço. Nós temos as almas de duas crianças, eternos adolescentes, descobrindo as mil faces do amor e sonhando com um mundo que respeite nossos gritos de felicidade.
Porque o amor tem o poder de lhe tornar a pessoa mais linda do mundo, mas poderá lhe tornar a pessoa mais cruel também. Por isso é preciso calma e entrega. É preciso feitiços, mas poções mágicas que os retirem. É preciso fé, mas é preciso ação. Não basta querer, tem que abraçar a pessoa que você ama e sufocá-la de carinho até que ela diga que o ama também.
Ele é o guarda-chuva que não deixa que eu me molhe, mas se gotas da chuva tocam meu rosto, ele é aquele que as seca junto das lágrimas. É o meu café da manhã acompanhado com uma flor de Bom Dia, é o meu almoço preparado com todo o amor, é o meu jantar a luz de velas no restaurante da esquina na Rua XIX. Ele é: – o meu namorado.
Há coisa mais gostosa do que chamar assim o homem que você ama?