quinta-feira, novembro 03, 2011

G.


❝Bolha de sabão estourou-se na partição da ópera. Fragilmente dissipou-se no ar. Transpareceu como lentes convergentes. Imagem bela. Cores do arco-íris. Singela no caos. O teatro lotado. A criança reparando bem no palco. A bolhinha morreu. Oxigênio, gás carbônico, vapor de água e restos de bolha. A atmosfera sofre mais uma perda. Ninguém ao menos reparou. Em exceção à criança. Parada, desejando talvez que as moléculas de sabão se recompusessem e formasse nova. Agora estava em tédio. Toda aquela gente com roupa de gala, ouvindo música que não dizia nada. E com a bolhinha, muito mais importante, ninguém se importou. De tão pequenina, não chamava lá muita atenção… por isso o menininho gostava. Era dele, o que ninguém reparava.❞

— S. Andrade

Um comentário:

  1. Este menino do conto vê assim como Amelie Poulain a atmosfera da grandeza do simples e dos detalhes.

    Belo, muito!

    Chega a ser emocionante a vida destas palavras.

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