quarta-feira, novembro 30, 2011

O RELÓGIO DIGITAL APITA 01:24 a.m. E O CADERNO DIZ: ESQUECE, ME ESCREVE.

E, no travesseiro, saem as dúvidas que percorrem a cabeça...


A palavra refletir leva o significado de “v.t.d. Fazer retroceder; repercutir; espelhar; v.t.i. transmitir; raciocinar” em meu Dicionário. Dicionário talvez tenha se tornado o meu melhor amigo. Ele leva os significados e os segredos das palavras... Se você procurar amor, por exemplo, ele trará “s.m. Afeto a pessoas ou coisas”. – E há algo mais sábio que isso? – O amor é o afeto que se tem àquela fotografia ou àquelas pessoas daquela fotografia...
O Dicionário contém um mundo dentro dele que, me causa alguma inveja (inveja: s.f. pesar pelo bem alheio, sentimento de cobiça).
Você, por acaso, já pensou se nós seguíssemos a risca um dicionário? As palavras ditas com verdade, – diretas, certeiras e sem enganos. Já pensou quantas lágrimas de moças seriam poupadas se os rapazes soubessem que cavalheiro, ainda consta em nossos dicionários, são pessoas de sentimentos elevados e educação esmerada; e não têm nada a ver com cafajeste (s.m. homem de ínfima condição). – E se as pessoas diferenciassem sexo (s.m. Diferença constituída entre macho e fêmea; órgãos genitais) e amor? – Sexo não é nada poético, amor não é qualquer coisa. Deveria ser lei: Amor você poderá fazer sem sexo, mas sexo sem amor não é permitido. – Já pensou? Conhecer a intimidade de alguém que você não sabe se gosta de sorvete de morango ou chocolate? O que contar para a pessoa que, você mal conhece, após o sexo? Eu imagino: “E aí, gostou do meu desempenho por cima? Eu chamo de Ataque à Torre de Babel...”. Que graça tem se amanhã eu não irei lembrar? Não. Sexo sem amor não é legal. [...]
Mas você já parou para pensar em amor sem sexo? Eu me lembro de meu primeiro namorado, que eu não sabia o que era, mas dizia amá-lo... Já pensou em como as coisas acabam? Acaba escola, acaba relacionamento, acaba amizade, acaba filme, acaba novela, acaba chuva, acaba linha, acaba tinta de caneta, acaba tempo... Como o fim pode ser definitivo ou temporário? Ainda posso reencontrar meu primeiro namorado...
Já parou para pensar por que eu escrevo? Eu já. – Não sei. São mais de uma da manhã e minha mente não dorme. Já parou para pensar por que disseram aquilo? Por que aconteceu daquela maneira? – Quantas portas você já fechou? Figuradamente? Literalmente? – Quanto é a metade de? Inteiro do? Um? Dois? Três? Ele? Quando? Ela? Será? Não... Sim... Talvez.
Já parou para pensar por que o tempo não volta? Por que você perdeu aquilo? Como ganhou isto? De onde veio aquela pessoa? Por que você? Justo com você? Por que não do jeito que você sonhou? Sonhar: v. intr. Associação incoerente de ideias que se formam durante o sono; entregar-se a fantasia e devaneios; v.t.d. imaginar;.
Eu ainda tenho a alma de criança que sonha. Espero preservar isto. Não quero morrer só, estressada, de infarto ou falta de tempo. Eu quero sonhar como voa a pipa, como fala o padre, como manda o conto, como apita o apito, como soa o assovio, como canta a voz, como se escuta a música... Eu quero sonhar.
Eu convido você a refletir: O que você quer? Quando acaba? Vai passar? Haverá outra chance? Qual a diferença entre? Por que eu não posso fazer da minha vida um pequeno dicionário? – Carregar mundos. Entregar os significados do bem e do mal. Ser o melhor amigo de alguém. – O motivo de algo. – Uma busca, uma pesquisa, um encontro.