terça-feira, março 25, 2014

III

"Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta 
Todo mundo tem razão, vence sempre e na hora certa 
Todo mundo prova sempre pra si mesmo que não há derrota 
Todo homem tem voz grossa e tem pau grande e é maior do que o meu, do que o seu, do que o de todos nós 

Todo mundo é referência e se compara só pra ver que é melhor 
Todo mundo é mais bonito do que eu mas eu sou mais que todos 
Todo mundo tem suingue, é feliz, é forte e sabe sambar 
Todos querem mas não podem admitir a coexistência do orgulho e do amor porque 
Eu sou melhor que você 
Eu sou melhor que você
mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém 
Todo mundo diz que sabe e quando diz que não sabe é porque 
é charmoso não saber algo que todas as pessoas já sabem como é 

Todo mundo é original, é especial, é o que todos queriam ser 
Não basta ser inteligente, tem que ser mais do que o outro pra ele te reconhecer 
Todo mundo ganha grana pra dizer que ela não vale nada 
Todo mundo diz que é contra a violência e sempre dá porrada 
Todos querem se apaixonar sem se arriscar, nem se expor e nem sofrer 
Todas querem vida fácil sem ser puta e com reputação se reprimem e começam a dizer 
Eu sou melhor que você 
Mas por favor fique comigo que eu não tenho mais ninguém 

 Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta..."

EU SOU MELHOR QUE VOCÊ de MORENO VELOSO

domingo, março 23, 2014

03/2014 II

“Se a gente puder ir devagarinho como precisa, e ninguém gritar com a gente para ir depressa demais, então eu acho que nunca que é pesado…” 

GUIMARÃES ROSA

A COINCIDÊNCIA

Ele é solitário e furioso. Sorri quando ninguém espera, mas o sorriso é tão sombrio que mais parece uma prece. Não fala entrelinhas e não se sente incomodado em parecer assustador. Gosta de dominar. O poder o fascina e, não me perguntem o motivo, mas eu desejo salvá-lo das dores que ele mesmo provoca. Porque, tenho para mim, que o amor é a única coincidência entre os seres humanos.


Chegou derrubando armários e mesas, disse que desejava algo e queria logo, não perguntou o meu nome e nem disse que era mais velho. A idade do corpo fosse o único problema da mente. E, mesmo assim, era forte o bastante para não se deixar ser fraco. No fundo, queria companhia, mas ao pensar no risco de perdê-la, preferia ser só. Ele era lindo.
Eu só poderia me sentir viva ao seu lado. Me digam quantas pessoas no mundo podem lhe fazer se sentir vivo e eu lhe direi quantas pessoas você pode amar. O amor tem dessas coisas: a gente tá quietinho, ele vai lá e acende uma vela. É uma música que toca no fundo da alma e que tem o poder de nos fazer dançar. Nos movimenta, nos traz coragem, e nos faz gritar.
Eu gritei o nome dele durante meses. E, todas as vezes, gritei pedindo que fosse embora. Às vezes, sem motivo, desejamos ficar longe das pessoas que queremos perto. Porém eu tivera motivo: ele não era meu. E não poderia ser. O coração daquele homem era quieto, silencioso, distante do meu mundo. Não sei se pertencia a outra, mas sei que não batia, não tinha pulsação, era tão morto quanto um móvel. Frio. Ele não existia.
Eu queria salvá-lo. Queria dar vida. Mas ele era tão teimoso! Insistia em percorrer um caminho que lhe causava dor. Todos os dias, quando acordara, ele levantara da cama pronunciando sete maneiras de melhorar a vida. Sete maneiras impossíveis. A tortura de quem é louco é se convencer que pode dar certo todas as fantasias que ele cria. As sete maneiras eram tão peculiares que cheiravam sangue. Deus, Deus do céu!, eu amara um assassino.
Há mulheres que não se preocupam com a marca do carro, o preço da roupa, os lugares que vão jantar, quem vai pagar a conta ou com a aparência. Essas mulheres só querem atenção. Elas se encantam com a maneira como vira música o nome delas ao serem pronunciados por teus lábios. Elas se surpreendem com como o seu olhar parece enxergar a alma delas, e como és inteligente e divertido. Elas são adultas e querem companhia.
Mas ninguém quer companhia barata. A gente quer lutar por algo que nos traz satisfação. E, aaahhh!, como era satisfatório vê-lo chegar todo final de tarde, pendurar o paletó, afrouxar a gravata e sorrir torto como quem espera uma travessura. Era bom. Fácil. Era inexplicavelmente tranquilo tê-lo por perto.
Mas não era tranquilo enxergá-lo como ele era de verdade. Deixando todo o encanto de lado, ele era perturbador. Lunático. Paranoico. E narcisista. Ele era louco. E homens loucos são diferentes de mulheres loucas. Dos homens nós sempre esperamos lucidez, pés nos chãos, genialidade mas ceticismo. Das mulheres é que nós queremos e aceitamos loucuras, esperança, desequilíbrio, dramas e sentimentalismo. Quando um homem age por puro sentimento, a sociedade o olha como derrota, e não como um bom homem.
Talvez fosse esse o seu problema. Ele era uma derrota. E poucas pessoas no mundo sabem conviver com a ideia de que, para os outros, elas são um erro. Foi aí que ele achou um escape: ser ruim. Mostrar que não tem medo de nada, ter poder, ter dinheiro, ter sangue nas veias e cabeça erguida. Ser heroico, mas taxado pelo mal. Ele era o vilão. E eu queria ser a mocinha.
Meu Deus, aquele homem não era meu. E eu o queria. Eu queria salvá-lo. Eu tentei salvá-lo e pensei que fosse conseguir. Eu pensei que, se eu pudesse ir devagarzinho, dizendo como ele deveria viver, eu fosse levá-lo para casa. Mas ninguém pode ensinar outra pessoa a querer viver. A gente vive por nós mesmos.
E, aos poucos, ele foi vivendo por ele. Foi andando com as pernas que ganhou e enxergara com os meus olhos. Ele aprendeu a amar. Não a mim. Aprendeu a amar a vida. A vida é a mulher que ele sempre quis. A vida, meu bem, é a mulher que todos nós devemos amar.
Porque o amor é a única coincidência entre os seres humanos. E só o amor nos salva. É ele que nos traz a vida e é ele que nos ensina a perder. Não acho que hoje ele seja um homem bom, deve continuar sendo a criatura perversa que sempre foi. No entanto, eu pude entender - todas as criaturas desse mundo são capazes de amar. No fundo nós somos parecidos. Enquanto ele lutara para ser ruim, eu lutara para ser boa. E, por ser boa, não pude roubá-lo de seu destino. Mesmo desejando, como uma criança que deseja um brinquedo, eu deixei que ele fosse dela. Da vida.

quarta-feira, março 12, 2014

03/2014

"Minha jangada vai sair pro mar 
Vou trabalhar, meu bem querer 
Se Deus quiser quando eu voltar do mar 
Um peixe bom eu vou trazer 

Meus companheiros também vão voltar 
E a Deus do céu vamos agradecer 

Adeus,
adeus 
Pescador não se esqueça de mim 
Vou rezar pra ter bom tempo, meu bem 
Pra não ter tempo ruim 
Vou fazer sua caminha macia 
Perfumada com alecrim..."

SUÍTE DO PESCADOR de DORIVAL CAYMMI

A MOÇA QUE NÃO TINHA FÉ

Anota:
Fé é ter esperança.

Que me desculpem as pessoas de muita fé, mas é isso que eu – em minha simplicidade de entender – penso sobre a vida. Não tenho a pretensão de que vocês queiram viver conforme eu determino. Mas, uma coisa é certa: tem muita gente cristã, que crê em Deus, mas que não tem fé.



Era moça alta, de formosura vigiada pelos rapazes, sorriso ameno quase imperceptível, mas olhos chamativos, olhar que devora. Acordara cedo, se vestira, pegara o rumo do trabalho, trabalhara, finzinho da tarde voltara para a casa e começara o segundo empego, estudar. A senhorita da casa 15, esquina com a casa 8, tinha um sonho: ser alguém. Mas não tinha fé. Não acreditara em um criador, nem em destinos, nem sequer nela mesma. A beleza que foi dada a ela, era castigada com a sombra de não acreditar.
Não acreditar é um importuno que causa estragos. Todos nós, mesmo os loucos, precisamos acreditar em algo. Algo precisa nos comover. Precisamos crer no hoje, no amanhã, na matéria, no perigo, na dúvida ou na certeza. Algo tem que nos impulsionar, tem que nos movimentar. Porque, senhores, acreditar é inspirar-se. A determinação do homem em ter chego até aqui, veio da fé de um louco, que acreditou que poderíamos ser melhores, mais tecnológicos, mais rápidos.
Só que a moça, sabe-se lá o que houve na vida daquela moça!, era cética. Centrada demais, cordial demais, impecável em ser mulher. Eu observara, como quem vigia a hora de a banda passar, os falatórios sobre a afável menina. E me indignara. Sobre a moça? O que eu sei sobre a moça? Sei que não a conheço e que não sei a sua história. Não faço ideia de onde veio, nem posso adivinhar para onde vai. Só sei o que ela, a moça tão serena, me deixa ver.
Vejo que não quer ir muito longe, mas que também não vai ficar por aqui. Que ajuda muitas pessoas e que não se importa em perder algo ou algum compromisso para poder ser solidária. Se sente bem ao perceber que fez alguém sorrir. De alguma maneira, tem medo da morte, mas se arrisca todos os dias quando sai de casa. Não gosta do cabelo muito comprido, por isso cuida sempre do corte. Talvez fale outra língua, mas eu não trabalho com suposições. Sempre encontramos um “obrigada, por favor, me desculpe” em seu falatório. E, por falar em falatório, não parece se importar com o seu redor. Evita fofocas. E, por isso, fofocam sobre ela. Acho que, a moça, embora não viva dentro da igreja, age com muita paz.
Enquanto o mundo corre seu ritmo ininterrupto e difícil de se acompanhar, ela se senta na poltrona e lê um livro como quem lê a própria vida. Se encontra em cada estrofe da música que toca no rádio e pede, por favor, que o locutor não volte com anúncios. No almoço, come feijão e arroz, porém não tem muito apreço por carne. Adora pipoca. Não dispensa um chocolate. Seu filme predileto foi dirigido por Quetin Tarantino. E chora todas as vezes que assiste incansavelmente o clássico Titanic. Creio que, a moça, não seja tão diferente das demais.
E talvez seja isso mesmo que assuste: a normalidade. E a maneira com quem faz tudo ser tão natural. Como ela consegue? Como ela dá conta de viver tão tranquila se, da vida, parece querer tão pouco? Não sei, não sei. E temo que muito gostaria de saber. Mas a resposta é um tanto quanto lógica. A vida continua. A continuidade e a sequência da nossa existência é a chave para tudo. Porque, na verdade, mesmo que nos falte algo, nós temos que ir em frente. Mesmo que doa, e que a tristeza tome boa parte do dia, o dia segue e vira noite, e dia, e noite, e...
E até para os pecadores a vida vai andando e acontecendo, o passado fica para trás e, quando vê, lembra-se de tão pouco! Não precisamos mais daquilo que era tão importante. Aquele sapato, hoje velho, não era tão bonito assim. E aquela festa não parece mais ter tanta estima.
As coisas mudam, meu amigo. Os gostos mudam. A rotina muda. As pessoas ao nosso redor se alteram e se alternam, novas pessoas aparecerem, e, de repente, a única coisa que sobrou é aquele móvel que só acumula poeira no canto da casa.
E você aí deve estar se perguntando “o que a fé tem a ver com isso?”. Ah! A fé! Talvez ela não altere tanto as coisas. Tem muita gente que vive sem acreditar. No entanto, quem tem fé, tem tudo. Ela completa aquele cantinho que ontem estava vazio. Ela deixa cair, mas levanta. – Alias, não deixa cair. Nós caímos. Pois a vida não tem controle. E ela nos ajuda a levantar. – Com a fé a vida parece mais fácil. E talvez seja. A fé e a esperança alimentam a alma que precisa viver. E são poucas as coisas que despertam a alma: medo, fé, ódio e amor.
Rancor? Rancor não alimenta, só córroi, gasta o que não tem. Mas o ódio e o medo dão oportunidade ao que pode matar. E a fé e o amor nos dão coragem.
E coragem, meus queridos amigos, é tudo o que aquela moça não tem. Mas, mesmo assim, todos os dias ela acorda, vai trabalhar, vai tentando viver...

domingo, março 02, 2014

03-2014

"Os únicos presentes no mar são golpes vigorosos e ocasionalmente a chance de sentir-se forte. Claro, eu não sei muito sobre o mar, mas sei que é assim que é aqui. E também sei como é importante na vida, não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte. Para se testar ao menos uma vez. Pra passar pelo menos uma vez pela mais antiga das condições humanas, enfrentando desafios sozinho, sem nada para ajudá-lo. Exceto as mãos e a cabeça."

 Na natureza selvagem, Into the Wild, 2007, Sofia Coppola

Desse cálice eu não beberei, não mais

E só eu sei o quão difícil é amar em silêncio.

Eu sei que anos se passaram. Um, dois, três... eu perdi a conta. Eu nem sei se eu cheguei a contar! Mas eu sei de algumas coisas que eu vou guardando aqui dentro e tentando fingir que elas não existem, e mesmo que, não soem tão poeticamente, e sejam urgentes e confusas como um desabafo, eu preciso, eu muito que preciso, contá-las. Eu preciso pôr pra fora e, pondo-as fora, eu quero que essas coisas sumam de mim. Eu quero ficar leve. E, pra isso, preciso descarregar.
Eu quero te esquecer, mas eu não consigo. Eu paro e penso: “fazem anos!”, e tenho medo de que dure por mais anos. Eu tenho medo não só que dure, mas eu tenho medo de te deixar pra lá. Porque você foi a única inspiração que me fez sentir, meio que torta, que eu poderia ser tudo na vida. Depois que você se foi, eu me perdi. E eu me encontrei. Mas foi um encontrar tão desencaixado, que eu tive que me organizar no meio da minha bagunça. Um organizar tão desorganizado que eu creio que nunca me encontrei. Porque pode parecer estranho, mas, não há um dia sequer que eu não pense em você. E, todos os dias, eu sinto a sua falta. Eu deito a cabeça no travesseiro e me pergunto: “como é que eu cheguei até aqui?”. Eu não sei. Eu juro que eu não me lembro em que parte do caminho eu desviei do trajeto. Eu só sei que eu ainda te amo. E amo do mesmo jeito. Ou até mais. Eu amo muito.
E eu mudei tanto! Eu não sei o que sinto mais: a sua falta, ou a minha. Porque eu queria, e queria muito, ser de novo uma menininha de quinze anos. Que tinha coragem, esperança, fé inabalável e uma vontade imensa de viver. Não me leve a mal. Eu não estou triste. Nem doente. Eu estou com saudade. Porque apesar de agora eu ser forte, eu não tenho propósitos. Apesar de ser cautelosa, eu sofro de dúvidas. Apesar de alegre, do meu jeito, eu não sou feliz. E não me apaixonei por mais ninguém.
Houveram pessoas pelas quais eu me interessei, mas não houveram pessoas especiais, sabe? Pessoas que tocam o coração e fazem nos querer abraçar o mundo ao lado delas... É aí que sinto falta dos meus quinze anos quando me apaixonar era tão fácil! Tão fácil! Um sorriso, um olhar... pronto! Eu estava apaixonada. Hoje não! Hoje eu sou aquilo, aquela palavra, que eu sempre abominei, porque não rima, não é bonita, não faz poesia. Eu sou [seletiva].Urgh!
Sei lá. Parece aquelas mulheres que aparecem com um texto enorme de como elas são fortes, e de como elas querem o homem perfeito. Eu não sou forte. Eu não espero o príncipe. Eu sou sensível, e eu espero você. Me diz qual o sentido de você não sair daqui de dentro? Me diz por que você não se lembra de mim? Por que você me apagou da sua vida, se algum dia, você me disse, que eu era a sua vida... Me diz. Me diz pra te esquecer. Porque eu preciso tanto ter raiva de você! E eu não consigo. Eu não tenho raiva, nem mágoa, não há rancor. Há apenas um arrependimento doloroso de ter aceitado e deixado com que você me esquecesse. Eu meio que, sempre, todas as noites, chego a conclusão de que eu nunca vou me perdoar por isso.
E aqui escrevendo me faltam forças. E me faltam raízes. E minhas veias borbulham uma fraqueza que me consome. Porque eu não toco nesse assunto. Não. Eu fujo de tudo que tem você, que faz lembrar, que me aproxima. Eu não me sinto no direito de me intrometer na sua felicidade. Porque aqui de longe, eu fico olhando a vida que você construiu, e eu tenho uma vontade atordoante de ter ela pra mim. Um cão, um jardim, um emprego novo... E então eu me lembro que não fui eu quem você escolheu pra ter essa vida. E volto a minha vida. E acordo todos os dias, vou trabalhar, estudo, me alimento, vou ao mercado, olho alguns rostos e sorrisos pela rua, e me pergunto se algum, em algum dia e algum lugar, eu vou poder amar como eu sempre te amei.
Porque não posso reconstruir os fatos, nem reviver um passado, não posso sair por aí gritando um amor que nem existe mais. Não posso tentar outra vez. Mas... e tudo o que nós aprendemos juntos? Não calar, não ter medo, não ficar parado, viver o amor, viver a vida, viver como se amar fosse o único propósito. Onde é que vou parar se eu, todos os dias, contrariar tudo o que doeu muito para que eu aprendesse? Acho que eu vou parar aqui mesmo. Nesse vai e vem. Nesse “será”. Nesse “espero que você esteja bem”.
Porque eu sempre desejei uma vida tranqüila pra você. Uma felicidade fácil, uma casinha confortável, um cachorro, um dia nem muito frio nem quente demais, uma letra de música, um bom emprego, que você possa ser saudável e que você tenha fé. Que você possa dizer obrigada. E que, no final desse dia, você chegue em casa e tenha certeza de que teve um dia bom.
Eu sempre desejei qualquer coisa, mas qualquer coisa boa.
Talvez, você leia, e fique com raiva. Mas desse cálice eu não beberei. Não posso mais beber. Não agüento mais beber. Cada gole que eu tomo é uma morte nova que eu vivo. É tão ruim ir contra tudo o que a gente quer que os outros façam! Porque, com palavras, eu dou coragem, mas tenho medo. E digo: “gritem!”, mas vivo calada. E só eu sei o quão difícil é amar em silêncio.
Eu não sei se vai se lembrar, mas tem uma estrela, aqui dentro de mim, que mesmo morta, ainda brilha. Acho que eu estou esperando um cometa bater em mim... Acho que eu queria poder um dia compartilhar a vida nova que eu tenho. Sabe? Contar tudo o que me transformou... Eu nem saberia por onde começar. Então eu vou começar pelo fim: no fim, você pode duvidar, mas tem duas estrelas brilhando.
Não é coerente, nem poético, nem sei se poderia ser. É que faz anos que eu não escrevo pra você. Mas, mesmo que não seja um texto tão bonito quanto qualquer outro, preciso terminar dizendo: “eu ainda te amo, eu amo agora e para sempre. E, se não for pra sempre, não era amor. Mas é que já durou um bocado...”.