quinta-feira, maio 29, 2014

MAIO, IV

"Eu sou feita de madeira 
Madeira, matéria morta 
Mas não há coisa no mundo 
Mais viva do que uma porta. 

Eu abro devagarinho 
Pra passar o menininho 
Eu abro bem com cuidado 
Pra passar o namorado 
Eu abro bem prazenteira 
Pra passar a cozinheira 
Eu abro de supetão 
Pra passar o capitão. 

Só não abro pra essa gente 
Que diz (a mim bem me importa...) 
Que se uma pessoa é burra 
É burra como uma porta. 

 Eu sou muito inteligente! 
 Eu fecho a frente da casa 
Fecho a frente do quartel 
Fecho tudo nesse mundo 
Só vivo aberta no céu!"

A PORTA, VINICIUS DE MORAES
Rio de Janeiro , 1970