domingo, agosto 16, 2015

LEMBRETE

"Deixar nas mãos do tempo e esperar que a ferida cure é um risco que corremos, às vezes necessário, noutras vezes, irremediável."



Era pós-carnaval e a última banda já havia passado por ali. Nas ruas restou apenas a sujeira dos blocos e o silêncio do final da festa. Mariana provavelmente não se recorda, mas esse foi o dia em que conheceu o seu bem-amado. A moça da cidade grande, acostumada a se interessar por homens de terno e gravata, apaixonou-se pelo sorriso do menino Leandro. Ah! Essa insistência do amor em surgir nos lugares em que menos se espera... 

Era estranhamente bonito a diferença entre os dois. Ela tinha toda a sua vida planejada, ele, no entanto, apreciara permitir que a vida lhe mostrasse os caminhos. Mariana preenchera os dias com as suas palavras, já Leandro se destacara por sua alegria e afeto. Eu costumo dizer que, enquanto a moça era o arroz, o menino era o feijão. 

Aquela foi a primeira vez em que Mariana se apaixonou por alguém que a tratara bem. Os outros não souberam enxergar as coisas boas que a moça trouxera em seu coração. Antes de Leandro, Mariana era o tipo de mulher que se interessara por homens que a destratavam. Tanto que demorou longos meses para perceber o quanto era confortável estar ao lado do menino. Ela se apaixonou gradualmente. E, inexplicavelmente, sentia-se como se fosse o seu primeiro amor. 

Tudo era novidade. A moça nunca havia recebido flores, nem convites para jantares, tampouco cartas. Leandro não se cansara de mimá-la. Pouco a pouco, ela deixou com que o menino entrasse e, aquela casa que antes era vazia, agora era cheia de flores. O menino plantou um jardim dentro de Mariana. 

O amor floresce. O amor não necessita de requisitos. Não importa se ela é magra ou se ele escuta Caetano. Quando o amor nos habita, sobreviveremos aos empecilhos do dia-a-dia, desde que durante a noite possamos abraçar a pessoa amada. Ah! Os abraços! Fortes, quentes e silenciosos... O resto do mundo desaparece quando estamos nos braços de quem amamos.

Mariana não consegue recordar-se do dia em que o conheceu, no entanto, não se esquece do dia em que percebeu que estava apaixonada: nos braços de Leandro, com a cabeça deitada em seu peito, ela percebeu que não desejara estar em outro lugar. Ela queria que aquele momento não terminasse. Ela queria morar dentro daquele abraço. 

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